A Canonical não acredita no Software Livre?

Precisão, confiabilidade, colaboração e liberdade. Esses são os valores fundamentais que a equipe liderada por Mark Shuttleworth acredita que devam ser refletidas pelo Ubuntu, após uma revisão da marca em 2009. Esse processo resultou em uma grande novidade: o redesign de sua identidade. O Ubuntu 10.04 Lucid Lynx, nova versão da distribuição mais popular do GNU/Linux, traz um novo logo e um novo tema, mais leve e sofisticado… sem dúvida uma grande evolução visual.
Minha empolgação poderia ir muito além disso, não fosse o relato de Dave Walker, um líder da comunidade Ubuntu que foi convidado pela Canonical para ir até seu escritório em Londres conferir o novo projeto gráfico. Em um artigo escrito para o site Linux User & Developer, Dave relatou que os designers envolvidos na nova concepção do Ubuntu utilizavam MACs e softwares proprietários na criação do projeto. Disse também que a equipe fez questão de salientar que gostariam de ter utilizado o Ubuntu e suas ferramentas no projeto, mas não tinham a familiaridade necessária para tal.
Não quero aqui fazer qualquer comparação entre plataformas, ou entre softwares como GIMP e Photoshop. Acredito que essas comparações, assim como discussões sobre produtividade realmente não vem ao caso. Quero apenas afirmar que esse projeto gráfico poderia ter sido feito no Ubuntu, utilizando ferramentas como GIMP e Inkscape, sem sombra de dúvidas. Essas ferramentas possuem pleno potencial para isso.
A Canonical, que tem a proposta de fazer um “Linux para seres humanos”, deveria ter a utilização de ferramentas livres como principal proposta nesse projeto. Mesmo eu acreditando que não existam muitos designers conceituados para trabalhar com branding dentro da comunidade, a Canonical deveria ter feito o esforço de reunir uma equipe de designers que tivessem intimidade com as ferramentas livres, mesmo que fosse para trabalhar em parceria com essa outra equipe. Existem ótimos profissionais utilizando Ubuntu no trabalho de criação!
Muita gente pode considerar que as ferramentas livres não estão devidamente preparadas para um trabalho profissional na área de design. Eu mesmo tenho muitas considerações a respeito. Porem aqueles que investem nesses produtos, tendo inclusive uma distribuição baseada em Ubuntu para produção gráfica e multimídia, tem o dever de incentivar o seu uso, até mesmo para alavancar a evolução dessas ferramentas.

Novo tema do Ubuntu 10.04
Em contra-senso com os novos valores definidos para a marca, a Canonical demonstrou uma “precisão” errada na escolha dos profissionais, falta de “confiabilidade” no seu produto, pouca “colaboração” com a comunidade, e nenhuma “liberdade” ao utilizar softwares proprietários no projeto.
Leia mais:
- Redesigning Ubuntu – behind the scenes on 10.04
- New logo for Ubuntu
- New Ubuntu design created on Apple Mac
- Ubuntu Brand I e Ubuntu Brand II
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15 Responses to A Canonical não acredita no Software Livre?
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Tem uma fonte da noticia?
O Artigo “Redesigning Ubuntu – behind the scenes on 10.04″ de Dave Walker, líder da comunidade Ubuntu que foi convidado pela Canonical para ir até seu escritório em Londres conferir o novo projeto gráfico, e cujo link encontra-se no final do post, é a principal fonte!
Abçs
A questão é bem simples: eles precisavam fazer o trabalho de alguma forma e os caras AINDA não estão familiarizados com o Ubuntu.
Linux, de forma geral, não é muito usado por designers e essa é a realidade.
Não tem nada a ver em defender ou não o SL, é apenas uma questão de praticidade.
Não vejo a questão de uma forma tão simplista assim Herberth… a filosofia do Software Livre envolve questões que vão muito além do tecnológico.
O Ubuntu pretende ser uma distribuição fácil a nível de usuário… eles tem o Ubuntu Studio como uma distribuição para produção gráfica e multimídia, e existem muitos Designers com familiaridade.
A questão é simples: eles escolheram o caminho mais cômodo, ao invés de insistir na afirmação dos ideais da comunidade.
Enfim, a Canonical não é a comunidade… é uma empresa que vê a comunidade como um nicho… e acabaram de provar isso.
Abraços…
“a equipe fez questão de salientar que gostariam de ter utilizado o Ubuntu e suas ferramentas no projeto, mas não tinham a familiaridade necessária para tal.”
O que foi posto em cheque com essa notícia não foi questões de filosofia de software livre, mas questões técnicas e práticas.
A canonical é uma empresa que resolveu entregar o que prometeu no prazo, não importa o que houvesse. Tem uns dois anos que eu uso o Ubuntu e não lembro te ter tido atrasos na entrega das releases.
Se você fosse dono de uma empresa qual você escolheria: entregar no prazo e ter seus usuários satisfeitos com o prazo E com a qualidade ou afirmar suas idéias, ter um custo maior e um prazo maior e não ter a certeza de agradar seus usuários?
Os designers podem sim usar o Gimp e o Inkscape, por exemplo, nas próximas versões, e é até preferível que façam isso, mas não se pode julgar que eles são contra o SL ou que acham as ferramentas privadas melhores, pois eles ainda não conhecem as livres à fundo.
O Software Livre não deve ser visto como um produto comercial, e sim como um bem coletivo. Estou colocando em cheque a filosofia do software livre pela Canonical sim, pelo comodismo da questão prática e técnica. Já que você falou em produto, eu não vejo forma melhor de promover um produto do que mostrando do que ele é capaz. Existem pessoas capazes de fazer o mesmo trabalho utilizando GIMP ou Inkscape… e mesmo com essas ferramentas não possuindo o mesmo potencial de algumas ferramentas proprietárias, o trabalho que foi feito era totalmente possível de ser executado com elas…
Abraços…
“O Software Livre não deve ser visto como um produto comercial, e sim como um bem coletivo.”
Eu acho que não é bem assim. Software Livre e serviços (como suporte) atrelados à ele podem ou não serem vistos como produtos comerciais. Motivo? Alguem tem que bancar o desenvolvimento. Mesmo que você tenha um suporte pago incrível para o Ubuntu, as pessoas não o usariam se o mesmo não tivesse uma boa qualidade. E nesse caso, boa qualidade implica em bons desenvolvedores trabalhando nele. E isso cuta dinheiro.
Quanto ao resto, eu acho que você está certo sim. A Canonical poderia ter feito o mesmo trabalho com outras pessoas que sacam mais de ferramentas livres. Isso foi uma falha ideológica sim, mas eu acredito que isso não é suficiente pra concluir que ela desacreditou no software livre. É uma generalização muito grande, não concorda?
"Alguem tem que bancar o desenvolvimento"?!?
Como disse o Aurério Heckert (membro ativo da comunidade do Inkscape), "Software Livre e Cultura Livre de verdade se faz em comunidade". A comunidade faz (e sempre fez) o desenvolvimento. As empresas apenas enchergam algum nicho ou benefício ao contrinuir/explorar esse conhecimento coletivo. O Software Livre tem a qualidade que tem hoje devido aos milhares de desenvolvedores espalhados pelo mundo construindo essa comunidade.
O que impulsiona o movimento pelo Software Livre não é o fato de o mesmo ser "economicamente viável" ou "tecnologicamente sustentável", mas sim o fato de ser "socialmente justo".
Valew pela discussão construtiva Herberth… abçs
Eu avalio da seguinte maneira:
Custo x Beneficio
1) Quanto custaria contratar duas equipes de designers (uma especialista em softwares livres e outra especialista realmente em designer), sendo uma para dar suporte a outra?
2) Sinceramente, utilizo Linux desde os tempos em que era tudo manual, acompanhei bem a evolução das distribuições, porém realmente as ferramentas para a área de designer não evoluíram na mesma velocidade com que as praticidades de se ter um desktop linux evoluíram (e ainda tem muito a evoluir). Enquanto isso ferramentas de escritório evoluíram bastante como o caso do OpenOffice (mesmo com todos os seus prós e contras).
3) Se houvessem ferramentas proprietárias como as da suíte adobe para sistema Linux, garanto que muitos (pseudo)designers iriam preferir utiliza-las a utilizar as ferramentas livres, devido estarem anos luzes na frente. Sim é ruim a falta de usuários e investimentos para esses softwares, mas não é o caso de criticar a opção de contratar profissionais e empresas de determinado mercado para fazer um projeto para você. Afinal o que foi solicitado foi um projeto visual, se eu terceirizo algo e tenho prazo para isso, eu quero apenas saber do resultado final e não do meio utilizado.
4) Sim, a Canonical é uma empresa, e além do dinheiro do astronauta, a maior parte de sua renda não vem de comunidades mas sim de contratos, afinal ela tem que cumprir prazos, tem que pagar contas etc, logo o caminho mais efetivo (eficiência+eficácia) é a melhor solução. E não é fácil agradar gregos e troianos.
5) Sabemos que a filosofia de software livre, comunidades e liberdade é muito boa, mas temos que reconhecer que nas próprias comunidades existem lideres que escolhem os rumos dos projetos mesmo que não se satisfaça o desejo de outra parcela. Sem falar que nestas mesmas comunidades existem as panelinhas e em fim, se tudo fosse feito baseado nos desejos da comunidade, o SL não teria evoluído tanto quanto o temos hoje.
É muito fácil criticar, ser “xiita” como muitos falam, difícil é pensar e agir. Se você pode utilizar algo já existente e resolver um problema em pouco tempo, porque reinventar a roda para resolver o mesmo problema? Seu custo em tempo será bem maior.
Quando for chegada a hora em que essas ferramentas estiverem evoluídas e houver equipe que trabalhe de forma profissional com elas, te garanto que serão utilizadas.
Wagner, não é uma questão de ser xiita, ou de não compreender o nível de desenvolvimento atual dessas ferramentas. Eu considero sim que as ferramentas livres para design ainda tem muito que evoluir, e algumas não se equiparam a suas correspondentes proprietárias (basta ler neste blog o post ‘Porque usar software livre no design?’ para entender minha opinião sobre essas ferramentas, e os motivos que me levam a usa-las).
No caso da Canonical, não é também a questão de contratar duas equipes, ou de contratar a execução de um serviço e querer recebe-lo no prazo independente da forma que foi feito. Acredito que uma empresa como a Canonical, que vem se propondo a divulgar não só um SO livre, mas um conjunto de ferramentas livres, poderia elaborar um trabalho de médio ou longo prazo com uma equipe que possa se especializar nas mesmas ferramentas que ela procura promover… formar uma equipe que crie software livre usando software livre.
Quem primeiro deve acreditar no potencial das ferramentas são aqueles que se propõe a promove-las. O contrario é demagogia.
Abçs
Opa, Olá Agni, estava devendo comentar aqui, leio bastante os artigos, mas nunca cheguei a comentar..
Apesar de usar KDE (realmente não cheguei a pesquisar que ferramenta usam pra desenvolver a interface plasma, oxygen)concordo com o artigo, software livre é feito com/pela a comunidade para a comunidade. É ótimo ter uma empresa grande defendendo, apoiando, disseminando e investindo nisso e a Canonical realmente falhou ao usar softwares proprietários por puro ambito comercial, deixando a filosofia do software livre “de lado”. Esse foi um dos problemas que fez posteriormente o Ubuntu largar do Gnome 3 e passar a usar Unity para o 11.04, já que a comunidade de desenvolvimento do Gnome não seguia os mandamentos da Canonical.
Em relação a nova interface o problema deve ser dos designers, ou eu que tenho mal gosto, pois, na minha opinião o tema padrão ficou horrível, “pesado” para uma interface de trabalho pra qual se olha 4/8 horas por dia. Consegui trocar o Ps por GIMP no meu estágio voluntário, pois constantemente o Ps parava de funcionar com todos aqueles cracks e keygens cheios de vírus, então finalmente pude usar Linux no trabalho também, usava Gnome e sempre personalizava totalmente a interface; preto/marron/laranja não faz meu estilo… Até que então consegui resolver o problema da placa de vídeo no KDE, e já estou de volta ao meu ambiente preferido.
Enfim, ótimo artigo e ótimo site, referência certa pra criação com software livre, parabéns. Ahh achei um errinho no final do quarto parágrafo: “utilizando Ubuntu no [trabalhando] de criação!”
Abraços.
Olá Gilvan…
Sobre o tema padrão do Ubuntu, mesmo tendo sido usado software proprietário na sua construção, um novo conceito foi aplicado por aqueles profissionais, e no final das contas os softwares são apenas ferramentas. O novo tema ganhou em usabilidade e refinamento.
Obrigado pelo seu comentário, e por notar e avisar do pequeno erro no texto (que já foi corrigido).
Abçs
Li em algum lugar que Linus faz suas apresentações no MSPowerPoint. So fucking what? Também acho que, apesar de fã do BrOffice.org, o Impress não está preparado pra alguns tipos de apresentações. Deixa a desejar sim, essa é a realidade. Torcemos para que com o LibreOffice a coisa melhore muito. E não é diferente com alguns outros softwares livres. A maioria que uso, para as minhas necessidades, estão prontos, mas alguns infelizmente falta um pouco de estrada até alcançar a maturidade.
Marconi, eu concordo que alguns softwares livres não estejam no ápice de sua maturidade. Porém trabalhos como o novo brand do ubuntu poderiam ter sido feitos tranquilamente com Gimp e Inkscape. Os motivos que nos fazem usar esses softwares transcendem as questões tecnicas, coisa que comento um pouco9 no artigo Porque usar software livre no design?.
Abçs
[...] desse tipo de falta de incentivo é o relato que eu li no site Agni.Art.br, onde cita o relato de “Dave Walker, um líder da comunidade Ubuntu que foi convidado pela Canonical para ir [...]