
Tecnologia na Web, Revista Webdesign
Início de um novo ano e mais desafios prometem movimentar o universo dos profissionais de internet. Além de procurar atualização sobre os conceitos fundamentais que ajudam a construir as bases para atuação na área, é preciso ficar atento também às novidades em termos de ferramentas de produção.
Nos últimos tempos, o surgimento de novas opções e pacotes de software tem contribuído para melhorar o trabalho neste segmento. “Meu cotidiano com aplicações web se resume: ao Netvibes para guardar informações de fácil acesso; o trio da Google: Gmail , Reader e Calendar; o Remember the Milk, que é o centro da minha produtividade, onde uso a metodologia GTD em todas as minhas demandas; e, apesar de a aplicação já existir um tempo, conheci em 2009 o SlimTimer, um software muito bom de gerenciamento de tempo. Trabalho ele casado com o Remember the Milk. Quem conhece a metodologia GTD sabe como é importante prever o tempo de execução de cada tarefa. Normalmente, a gente faz uma previsão de acordo com a experiência anterior de uma demanda recorrente. Mas, quando é preciso fazer algo inédito, é fundamental trabalhar com o SlimTimer. Ao começar a trabalhar no projeto, acionamos o relógio e ele contabiliza todo o tempo em que você estiver nele. E, se esse trabalho for para uma agência, por exemplo, ainda dá para exportar uma planilha com tudo anotado”, revela o webdesigner freelancer Cristiano Santos (http://cristianoweb.net).
“O novo pacote da Adobe, sem dúvida, facilitou muito o dia-a-dia no escritório! Mas não são só softwares gráficos que podem facilitar a vida dos profissionais de criação. Hoje, o Twitter funciona como uma ótima fonte de informações, que contribui muito para que estejamos mais antenados no que acontece no meio criativo e no mundo”, argumenta o designer Silas Augusto (www.silasaugusto.com), que atualmente dirige projetos internos e de reestruturação do grupo Guia de Motéis (www.guiademoteis.com.br).
Neste cenário, Fernando Leite (www.fernandoleite.com), online content developer da Dell, lembra das extensões do navegador Firefox como elementos úteis no trabalho de criação e desenvolvimento de projetos web. “Não surgiram nesse ano (não sei precisar quando), mas cada vez mais temos add-ons para Firefox que nos ajudam no desenvolvimento. Destaque para os já mais do que conhecidos Firebug, Web Developer, ColorZilla e MeasureIt. Além disso, a Google vem lançado e aperfeiçoando aplicativos que ajudam no desenvolvimento/resultado final de projetos interativos.”

getfirebug.com
Como escolher as ferramentas ideais?
Levando-se em consideração o ritmo de produção e diante de tantas novidades e das diversas opções existentes para se trabalhar com a criação e o desenvolvimento de projetos digitais, os profissionais precisam se cercar de alguns parâmetros para garantir a escolha adequada das ferramentas a serem utilizadas.
Segundo Cristiano, em seu “#bunkerweb”, o planejamento do projeto é quem manda. “Nem proposta para um cliente eu faço se não houver um pré-trabalho. Fazer um bom planejamento é fundamental para tudo, inclusive, sobre quais softwares vou utilizar no projeto em questão. É comum, quando um trabalho tem uma demanda de criação de animação complexa em SWF, eu repassála para outro profissional que domine Flash, pois não trabalho com essa ferramenta. Porém, há casos em que eu mesmo faço animações mais simples, utilizando outras ferramentas mais específicas, como, por exemplo, banners ou thumbnails.”
Já Fernando revela que procura trabalhar com as ferramentas que se sente mais à vontade, que tem maior domínio. “Normalmente, nos projetos que faço como freelancer, utilizo o Photoshop para criação de layouts e algum editor de HTML para codificar. Atualmente, tenho utilizado o Smultron (para Mac) e o PSPad (para PC). Além disso, uso o site ClockingIT (www.clockingit.com) para o gerenciamento do projeto.”
“Tempo, público-alvo e formato (e-mail marketing, site, hotsite, banner etc.) são os principais parâmetros para a escolha da ferramenta. Como kit padrão, utilizo o pacote da Adobe: Photoshop, Illustrator, Flash, Dreamweaver, Premiere e InDesign (para projetos off-line)”, completa Silas.
Neste debate, não podemos deixar de citar o software livre como uma ótima alternativa para quem trabalha com o design para mídias interativas. Durante a apresentação da palestra Web Design com Software Livre, Agni listou algumas opções: GIMP (editor de imagens), Blender (modelagem 3D), Scribus (paginação) e Inkscape (desenho vetorial). “Conheço o GIMP e posso dizer que é uma ótima ferramenta, principalmente no quesito mobilidade, uma vez que você pode levá-lo no pendrive e trabalhar no notebook, caso ocorra uma emergência. Tenho uma versão mobile que ‘mora’ no meu pendrive”, revela Cristiano.

GIMP is the GNU Image Manipulation Program
Especialização em uma ferramenta
É comum vermos pelo mercado profissionais que acabam se tornando especialistas em apenas um pacote de ferramentas existentes para a criação e o desenvolvimento de projetos digitais. Diante deste cenário, a dúvida mais comum é: quais são as vantagens de se tornar um especialista e os riscos que isso pode trazer para a carreira de um profissional?
“Acredito que existam mais riscos do que vantagens. Hoje, os profissionais precisam se especializar em áreas e não em ferramentas para dar conta do que o mercado pede. Ao se especializar muito em uma ferramenta podem acontecer situações bem complicadas. Um exemplo é um projeto exigir o fechamento do arquivo em CorelDraw para quem é especialista em Illustrator. Por mais que os softwares se conversem, não há uma padronização em relação às suas ferramentas e isso pode custar algumas horas a mais de trabalho para o reconhecimento da nova ferramenta”, alerta Silas.
“Mais importante do que dominar várias ferramentas é dominar conceitos. Por isso, acho difícil que alguém não seja cont ratado para uma vaga, pois nunca usou determinado software, mas somente o concorrente. Talvez, no início, o profissional demore um pouco mais para executar determinadas tarefas, mas com o uso esse tempo vai diminuindo rapidamente”, complementa Fernando.
Nesta discussão, é importante ressaltar uma reflexão apresentada na palestra de Agni, que citamos anteriormente. Segundo ele, “existe uma grande diferença entre saber como uma ferramenta funciona e saber o que fazer com ela“.
“É comum ver pessoas estudando para aprender uma determinada ferramenta e deixando de lado o mais importante, que é o que fazer com ela. Erro cometido, principalmente, por quem está dando os primeiros passos na área. Procuro sempre fazer o processo contrário, que é primeiro pensar e estruturar bem a ideia para em seguida produzi-la em alguma ferramenta, de acordo com a necessidade. Lápis, papel e caneta são imortais e ótimos instrumentos de criação! Sempre gostei e incentivei essa prática para as pessoas que trabalham e trabalharam comigo”, diz Silas.
“Tive um chefe, quando trabalhava em uma agência de publicidade, que sempre falava mal da minha geração por pensar com o mouse, por receber um briefing e ir direto abrir o Photoshop, Illustrator ou similares. A execução de uma ideia é somente a parte final de um projeto ou peça. Muito mais importante é pensar antes o que se quer, onde queremos chegar, quais os nossos objetivos. Ferramentas são somente ferramentas, não importa qual você usa, se no final você consegue chegar ao resultado que você tinha planejado”, ressalta Fernando.
Matéria publicada na Revista Webdesign, na sessão Tecnologia na Web da edição 74, de fevereiro de 2010. Para visualizar o PDF com a matéria, clique aqui.