O fetiche do iPhone
- janeiro 4th, 2010
- Posted in mercado . mídia
- By Agni
- Write comment
Que influências o Discurso Midiático pode causar na contrução de um Mito Mercadológico
Houve uma época em que eu ainda acreditava no Design como uma ferramenta de construção do conhecimento. Não que eu ainda não acredite nisso, mas hoje o Design acaba se revelando muito mais como uma ferramenta para estimular o consumismo nas pessoas, através da criação de um poder simbólico agregado aos produtos.
Acredito que atualmente o maior representante dessa classe de produtos seja o iPhone. O que gira em torno desse SmartPhone que o torna tão especial e tão necessário, ao ponto de existirem cerca de 300 mil unidades em uso no Brasil mesmo antes de seu lançamento oficial em nosso país? O que faz as pessoas desejarem não só esse objeto em si, mas também outros objetos que representem a sua aura?
Seriam as suas revolucionárias funcionalidades, mesmo que em questões práticas encontremos funções idênticas ou similares em outros aparelhos? Ou seria sua revolucionária tela ‘Touch’? Bem, isso já existia antes do iPhone em Palm’s e outros aparelhos… Claro, mas não com a mesma Interface, e com esse Design que parece ter saído de um conto de fadas!
Usabilidade? Convergência de funções? Isso tudo é suficiente para a construção de um mito?

A influência da Mídia
É um aparelho mágico! Pelo menos assim o fantasia a ‘Revista Veja’ em sua reportagem sobre o iPhone, em 17 de janeiro de 2007:
“Quem ganha é o consumidor, que tem acesso a aparelhos que tornam a vida mais agradável, colorida, desfrutável, segura, produtiva e rica.”
“Passa-se o dedo levemente sobre a superfície da tela e as imagens deslizam na mesma direção como que impulsionadas por uma força invisível.”
Bem, encontramos o “X” da questão: o discurso midiático!
A exposição que a mídia o fornece, faz com que a Apple praticamente não precise fazer propaganda de seu produto. Vemos referência ao produto na TV, em filmes, séries, desenhos animados, e até mesmo em campanhas de outras empresas, como foi o caso do comercial da Reebok exibido na final da Liga dos Campeões da Europa entre Barcelona e Manchester United, onde jogadores desses clubes aparecem como grandes usuários do iPhone.
O mundo mágico que se cria em torno desse SmartPhone faz com ele torne-se um objeto de desejo, um símbolo de poder ao portador, capaz de lhe dar status e autoconfiança perante a sociedade em que vive. O iPhone é capaz de trazer liberdade as pessoas… Apesar de essa não ser a opinião do estudioso Jonathan Zittrain, que considera que esse aparelho, símbolo de inovação, colabora diretamente em inibir da inovação coletiva, referindo-se a sua arquitetura fechada, diferentemente de como são os PC’s e a própria Internet:
“Fechados, estes aparelhos proíbem ajustes por parte dos usuários finais. Essa capacidade de interação com os usuários finais foi fundamental para transformar os PCs e a internet em uma grande alavanca de mudança econômica, política e artística.”
Ridendo Castigat Mores
Parafraseando Molière com sua afirmação de que “Rindo castigam-se os costumes”, trago abaixo uma das melhores críticas feita a esse mundo mágico que circunda os produtos da Apple, um episodio da temporada 20 dos Simpsons onde Lisa e sua família avistam uma nova loja no shopping de Springfield, a Mapple Store!
O que foi? Estão se perguntando o porque estou criticando tanto assim a Apple?
Ora, não é uma crítica a Apple em si… Só pra constar, eu trabalho todos os dias em um iMac. Eu só quis jogar um pouco de luz na sociedade moderna :)
Querem-me perguntar algo?
Concordo com você em vários pontos.
Tive um iPhone de primeira geração (que realmente era um lixo) e hoje tento voltar a ser proprietário de um iPhone 3GS.
Tem muita coisa boa, e também muita coisa ruim no iPhone, mas existe realmente uma “magia” que envolve o produto. Uma espécie de “mística social” que torna o iPhone mais um ícone, um símbolo, um amuleto do que propriamente um smartphone (hoje eu aceito chamá-lo assim.)
A questão é que a Apple, realmente, conta com uma “imagem”, um “fetiche” dos seus clientes, e por isso ela é tão bem sucedida na venda emocional. Os produtos são bons? Sem dúvida. Tem qualidade? Muito superior à média. São bonitos? Não, são lindos. Mas a mídia ajuda e manipula bastante, no momento em que cria a imagem do “seja COOL, tenha um Apple”.
Imagem é tudo, sede não é nada!
Existem duas falhas na sua exposição.
A primeira é esquecer que na ocasião do lançamento do iPhone, a mesma revista Veja que dissera tão bem do aparelho quando era apenas promessa, desceu o cacete de forma completamente desproporcional quando ele chegou aos consumidores. Na época, eu levantei a tepria conspiratória de influência editorial por anunciantes, porque uma simples birra de um editor ou repórter não explicaria o formato e conteúdo daquela matéria, e a revista depende bastante dos anúncios das operadoras de telefonia e certas marcas de telefones. Enfim, esse foi apenas mais um de vários incidentes jornalísticos que me convenceram de que a Veja sintetiza uma atitude torpe que deveríamos nos esforçar para destruir na imprensa do Brasil.
Mas isso é digressão. Voltando ao iPhone, o segundo problema do seu post é o argumento, muito usado aliás contra o Mac também, de que “isto e isto já existia no produto tal”. É falso que a primeira implementação da ideia é a única digna de mérito, está aí o Windows de prova. Ademais, a implementação na Apple não tem similar, por causa de um fator essencial que você esqueceu de mencionar: os aplicativos baixáveis. Isso desequilibra completamente o jogo a favor do iPhone. Por fim, é preciso usar ou possuir o aparelho para falar com propriedade dele, bem ou mal, e toda crítica destrutiva que já li era de quem não o conhece bem. Qual sua relação pessoal com o iPhone?
Para fechar, convém repetir: uma pessoa que precisa da associação a um aparelho eletrônico (no caso da Apple, computador ou telefone) para se afirmar socialmente é medíocre.
@Mario Amaya
Olá Mário…
Reafirmo mesmo a ideia de que a Revista Veja não deveria merecer crédito ou mérito algum em suas reportagens. Citei a Veja como exemplo para descrever o que boa parte da mídia vinha fazendo.
Quando eu disse “isto já existia em outro produto” não foi como um argumento acusativo para “falta de inovação”, mas como questionamento… questionamento do “porque” o iPhone virou esse mito mercadológico. Até pq eu considero que o mérito nem sempre é de quem tem a ideia, mas sim de quem a implementa bem.
Eu não tenho um iPhone, mas já tive muito contato com o aparelho. A pessoa com quem divido apartamento tem, pessoas com quem eu trabalho tbm tem (inclusive usamos para testar os Websites que produzimos). Eu possuo um Smartphone da Nokia que também tem aplicativos baixáveis (eu tenho uma porção deles), e pelo que eu avaliei em comparação, não perde em funcionalidades para o iPhone, mas perde sim em Design.
O texto em si não é uma crítica aos produtos da Apple, até pq eu tenho um iMac, e acho o iPhone demais… e sim uma crítica ao discurso midiático, e o uso do aparelho como forma de atingir status social (que como vc mesmo disse, é medíocre).
Boa parte das pessoas “não Geeks” que conheço e possuem o iPhone, conhecem menos funções do aparelho do que eu, que não o possuo.
abçs