Intercon 2007

Estive presente no segundo dia do Intercon 2007 (sábado, dia 27/10), que aconteceu no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

Um dos destaques do Evento foi o entrevistador Luli Radfahrer, que é Ph.D. em comunicação digital pela ECA-USP, de onde também é professor há mais de dez anos. Com seu jeito irreverente, conseguiu descontrair os congressistas e os palestrantes, além de fazer ótimas entrevistas e comentários sobre os temas abordados.

As 9:30h começou a primeira palestra, “Painel: Visão crítica da nova internet e como ela influencia no Brasil”, que contou com a presença de Carlos Merigo (Brainstorm), Cris Dias (Vilago), Fabio Seixas (Camiseteria) e Mauro Amaral (Carreira Solo), que mais parecia um papo informal e bem humorado na sala da casa de um deles, com os quatro acomodados em poltronas tendo uma conversa sobre os grandes projetos que regem a internet atual. Foi um papo bem abranjente, que divertiu e atualizou a galera sobre o que anda rolando na Web.

As 11:30h Luli anuncia um acontecimento paralelo: enquanto Pedro Venturini (Consultor de Vendas Online do Itaú) fazia no auditório a palestra “O impacto da internet no mercado tradicional”, aconteceria do lado de fora a “Desconferência”, onde reuniram-se alguns congressistas para discutir temas como Publicidade, Modelos de Negócios, Métricas e Estratégias na Web 2.0. Foi um ambiente bem propicio à troca de idéias e Networking.

As 14:00h foi a hora da monótona palestra Negócios 2.0, com Marcello Povoa, Dir. de Marketing da MPP Solutions e José Luiz Martins, Dir. de Tecnologia da MPP Solutions. Esta palestra foi o ponto mais fraco do evento, onde os palestrantes falaram mais sobre o trabalho da MPP Solutions e seus Cases, porém misturando superficialmente diversos assuntos, sem realmente esclarecer nenhum. Mais tarde na entrevista com Luli, depois de uma pergunta da platéia, José Luiz Martins responde com a frase: “Meu negócio não é fazer palestras, e sim vender produtos”. Eu concordo plenamente.

O esperado “Se vira nos 3″, onde alguns representantes de grandes agências analizariam alguns portifólios inscritos e fariam algumas contratações, acabou sendo cancelado para o sábado (com as devidas desculpas da organização), tendo acontecido somente na sexta.

Para encerrar, as 16:30 tivemos a palestra “Convergência de mídias e o novo consumidor”, com Sergio Mugnaini, Diretor de Criação da Almap BBDO, onde pudemos acompanhar seus comentários sobre diversos Cases de grande sucesso, para clientes como Antarctica, Bauducco e o chocolate Twix.

No geral, o Intercon foi novamente um grande evento e obteve sucesso mais uma vez. Um ótimo espaço para Networking e discussão (Inclusive durante a palestra, onde o pessoal ficou constantemente Twittando o tempo todo), além de grande fonte de informação. Mais uma vez o Imasters está de parabéns!

Conceitos de Design: função das letras, cores e formas

Design está na moda. Usam essa palavra para se referir a uma porção de coisas, e que nem sempre tem de fato relação com Design. Essa palavra chama a atenção em Capas de Revista, Temas de Palestras, Cursos e Campanhas Publicitárias. As várias interpretações e o pouco esclarecimento sobre a real função do Design geram uma grande confusão e pouca eficácia no processo de criação para Web, assim como em outras áreas.

“Tio, o que é Design?”

Design refere-se ao projeto visual e funcional de um produto (em nosso caso um Web Site), a adaptação de um produto a necessidade dos seus usuários, cativando o seu uso através da estética, aplicando-se conceitos e usabilidade a sua forma. Porém não é difícil encontrar profissionais, empresas, cursos, matérias de revistas e conversas de botequim, associando o Design à produção de imagens, ou resumindo-o na manipulação de um Software específico.

Os Softwares são apenas ferramentas, e não garantem a qualidade do projeto. Nenhum software deve ser encarado como uma solução pronta. Existem diversos Softwares diferentes e com funções similares, e a escolha sobre qual utilizar deve ser de cada um. A definição do que é Design vai muito além do Photoshop.

O Design é uma área projetual. Sua função é responsável por gerar desempenho, qualidade, durabilidade e aparência a um produto. Cada trabalho a ser realizado exige planejamento, pesquisa, criatividade e técnica. Ao contrário do que muitos pensam, a função do Design não está vinculada pura e simplesmente a produção de imagens.

Na produção de um Web Site (assim como em outros produtos) deve-se elaborar um projeto coerente, que forneça soluções eficientes e eficazes em usabilidade, desempenho e comunicação, focadas nas necessidades do Público Alvo. Não é um trabalho apenas criativo, mas também de planejamento e de pesquisa. Produzir um Web Site inevitavelmente exige “Pensar”.

Portanto, além da manipulação de Softwares, existem alguns métodos de planejamento e pesquisa que se deve conhecer, além de conhecimentos conceituais sobre como trabalhar a Pregnância da Forma.

“Tio, por onde começar o Projeto?”

Briefing é um documento onde são colocadas as informações e dados necessários para a criação de qualquer projeto, como objetivos, propósitos, informações sobre o cliente, o produto a ser divulgado, o público alvo, prioridade das informações, imagem a ser transmitida, motivações, etc.

Inicialmente, devem ser coletadas e organizadas as Informações para o projeto. Utilizar elementos dentro de qualquer peça gráfica sem um estudo do caso é um equívoco que compromete a comunicação e a funcionalidade. Há que se levar em consideração diversos fatores tais como: o objetivo do projeto, o produto a ser divulgado, o público alvo (sexo, idade, cultura, classe social, etc), Identidade Visual, Motivações, etc. Para realizar tal estudo do caso, nada melhor do que ter em mãos um Briefing bem elaborado. O ideal para a elaboração desse documento é reunir-se com o cliente, tirando suas dúvidas, esclarecendo detalhes e orientando-o sobre conceitos e tecnologias. Quando esse processo de elaboração não é possível de se realizar com o cliente, pode-se enviar a ele um documento com perguntas a serem respondidas, o que nem sempre é satisfatório. É possível encontrar vários modelos e exemplos de Briefing na Web, dando uma noção de como esse documento deve ser feito. No entanto o ideal é não seguir um modelo, e sim elaborá-lo sempre de acordo com a necessidade do projeto.

Após a análise do Briefing e com as devidas pesquisas feitas, o próximo passo é a Arquitetura da Informação. Como organizar a estrutura da interface e a distribuição das informações em categorias, além de priorizar a comunicação de informações mais relevantes. O documento apropriado para especificar a ordem e o posicionamento dos elementos que vão compor a página é o Wireframe. Através de uma forma esquemática, ele representa a distribuição e a hierarquia das informações a serem comunicadas. A partir dos posicionamentos do Wireframe é que se constrói o Layout.

Uma vez que uma das funções do Design é transformar Informação em Comunicação, nenhum elemento dentro do Layout deve estar lá sem comunicar algo. Elementos desnecessários podem confundir, poluir e dificultar o acesso e o entendimento das informações. Para um bom trabalho, é necessário fazer um estudo de conceitos visuais e de comunicação. Deve-se ter consciência do porque usar determinadas Cores, Fontes e Formas, e qual imagem e sensações esses elementos estão passando para o usuário.

As Cores têm poder de comunicação bem maior do que se imagina. É importante saber trabalhar com a Psicodinâmica das Cores, para que elas transmitam a imagem e as sensações orientadas no Briefing. Cada cor transmite informações, sensações e emoções diferentes. Uma boa introdução neste assunto é encontrada no site Color in Motion, que por meio de uma animação, dá exemplos de sensações e emoções que cada cor pode representar.

Para elaborar a Paleta de Cores de um site, é importante saber como trabalhar as Combinações Cromáticas. Por mais que se saiba que cores transmitem as sensações desejadas, é essencial saber como combina-las. Nesta tarefa é essencial ter em mãos um Círculo Cromático.

Uma ótima ferramenta que pode nos auxiliar na elaboração de uma Paleta de Cores é encontrada no endereço http://kuler.adobe.com.

Outro fato que se deve ter em mente é que toda idéia a ser transmitida é traduzida através de letras. Sendo assim, é importante ter um bom conhecimento de como trabalhar com a Tipografia. Para comunicar uma idéia deve-se trabalhar com fontes que priorizem a legibilidade e que tenham relação com o contexto do projeto. Deve-se saber, por exemplo, que fontes com Serifas não são indicadas para inclusão de textos na Web, pois a baixa resolução dos monitores faz com que as Serifas se sobreponham e dificultam a leitura. Porém, em títulos elas podem ter um bom resultado decorativo. Fontes sem Serifa conseguem ter uma maior legibilidade no monitor, principalmente se trabalhadas com um bom entrelinhamento. Existem diversas famílias tipográficas, cada qual com uma aplicação especifica, de acordo com o contexto. Saber escolher bem as fontes a serem usadas é um ponto importante na comunicação.

Outro fator que auxiliará na Pregnância da forma é a aplicação das leis da Gestalt em nosso projeto. Segundo a Wikipédia, Gestalt é um termo intraduzível do alemão, utilizado para abarcar a teoria da percepção visual baseada na psicologia da forma. Aprendendo a analisar as manifestações visuais e objetos ao redor, compreende-se melhor o porquê algumas formas agradam e outras não, podendo assim trabalhar esses fatores em nossos projetos. O estudo da Gestalt compreende a “integração das partes em oposição à soma do todo: estrutura, figura e forma”. Leis da Gestalt, como Unificação e Segregação, Fechamento, Boa continuidade, Proximidade e Semelhança, ajudam a orientar o processo de criação e obter resultados satisfatórios. Uma boa referência de Estudo sobre o assunto é o livro “Gestalt do Objeto: Leitura Visual da Forma“, do professor João Gomes Filho.

Os processos e conceitos necessários para se tornar um Designer não se encerram aqui. Outros conhecimentos, como Semiótica, Antropologia, Arte, técnicas de composição, além da busca de boas influências, são essenciais na formação de um profissional. Porém, a partir daqui pode-se ter uma compreensão mais clara do que é Design, além de uma direção para iniciar os estudos.

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