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    Padrões Web, Design, Publicidade, Software Livre, e outras histórias!

    Inovação: um ato anti-natural

    “O boxe é um ato anti-natural, porque tudo nele é ao contrário. Se quiser ir para a esquerda, você se apóia do lado direito. Para ir para a direita, use o dedão esquerdo. Às vezes o melhor jeito de dar um bom soco é recuando, mas se recuar demais você acaba derrotado. Em vez de fugir da dor como gente normal faria, você vai em direção a ela!”

    Não, eu não sou pugilista. Para falar a verdade, que eu me lembre eu nunca briguei, nem na escola. Mas depois de assistir mais de cinco vezes o filme Menina de Ouro e quase decorar as lições narradas por Morgan Freeman, eu fico achando que sei tudo sobre boxe.

    Mas por que boxe em um artigo sobre inovação?

    Bem, simplesmente porque da última vez que vi esse filme e ouvi essas lições, começaram a me ocorrer analogias entre o boxe e a inovação[bb]. E surgiu a seguinte questão na minha cabeça: a inovação hoje também é um ato anti-natural?

    Assim como eu afirmei em um artigo anterior que design é uma palavra que está na moda, vou sugerir agora que inovação é a palavra da vez.

    A competição e o volume de produtos do mercado capitalista, que faz com que ele esteja constantemente saturado, obriga empresas e profissionais a investir em inovação. Aliás, isso torna-se cada vez mais necessário para a renovação do mercado e venda de produtos. Mas muitos ainda têm o pensamento pouco sintonizado com o que realmente é inovação.

    E o que significa de fato inovar?

    Vemos muitas pessoas associarem a idéia de que para haver inovação, basta haver criatividade. Porém temos que entender que essas palavras não são sinônimos. Se formos entender a criatividade[bb] como a geração de novas idéias, podemos então entender a inovação como a implementação bem sucedida dessas idéias. Sendo assim, não basta ter boas idéias se não estiver apto a implementá-las.

    Criatividade é apenas o primeiro passo para que se possa inovar. E, além de boas e novas idéias, devemos saber reconhecer oportunidades para poder aplicar as novas idéias na prática, solucionando problemas de forma bem sucedida e obtendo demanda no mercado. Ai sim teremos algo inovador.

    Hoje, a área do conhecimento mais preparada para gerar novas idéias e criar estratégias bem fundamentadas para implementação é o design, por ser cada vez mais uma área projetual com foco no público alvo e em formas de cativá-lo, não apenas esteticamente.

    Algumas empresas vão aos poucos tendo essa percepção e escalando designers para trabalhar não só na criação estética, mas na criação de estratégias e planejamento de vendas de produtos e serviços, coisa que era naturalmente responsabilidade dos profissionais de marketing.

    Design é área multidisciplinar

    Isso faz também com que o design seja uma área cada vez mais multidisciplinar, fugindo da natural grade curricular de antes e agregando para si diversos outros conhecimentos e valores, não se limitando mais a disciplinas de artes.

    Hoje, em um mercado cada vez mais saturado de produtos e serviços, e com a globalização e a tecnologia encurtando cada vez mais as distâncias para a concorrência, o sucesso de uma empresa ou de um profissional está diretamente ligado à sua capacidade de criar, repensar e reinventar. Ou, sintetizando, na sua capacidade de inovar.

    E sendo a criatividade o primeiro passo para a inovação, o que as empresas e profissionais andam fazendo para estimular seu processo criativo?

    Por mais que para ser criativa uma pessoa dependa em boa parte de talento, não acredito que exista apenas um seleto grupo de indivíduos dotados de tal capacidade, privilegiados por uma inspiração divina. Toda pessoa, desde que seja estimulada e se auto-estimule para isso, é capaz de criar novas idéias.

    Inovação e custos

    Vejo que para muitas empresas e profissionais, inovação acaba sendo um sinônimo natural de grandes investimentos, seja na investida em consultorias, contratação de especialistas, investimento em novos equipamentos, melhor remuneração de seus profissionais ou até mesmo a terceirização de serviços.

    Como muitas empresas se vêem sem recursos financeiros para tais investimentos, logo pensam estar sem alternativas. Os custos poderiam ser bem menores se o investimento fosse direcionado à capacitação dos profissionais de design que integram a sua equipe. Na verdade é um erro associar sempre inovação a investimentos financeiros. A primeira atitude para se chegar à inovação está na verdade numa mudança radical de costumes, pensamento e postura.

    Um pensamento antiquado, mas que parece ainda muito natural em muitas empresas, é a idéia de estimular a produção criativa através de individualização de tarefas, estimular a competição interna ou premiação financeira dos funcionários, ou até mesmo exercendo certa pressão sobre o processo criativo ou sobre a implementação de novas idéias obtidas. Porém, com esse tipo de pensamentos e atitudes, o que acontece é o oposto, acaba-se na verdade por travar o processo criativo e a implementação satisfatória de idéias.

    Aqueles que almejam a inovação e o sucesso naquilo que fazem devem entender que a criatividade depende de diversos fatores, que devem ser estimulados e trabalhados, como as experiências profissionais e pessoais, o conhecimento técnico e a capacidade de enxergar os problemas por novos ângulos.

    O ambiente de trabalho

    O ambiente de trabalho deve primar pela coletividade, pela colaboração e comunicação de uma equipe, mas ainda assim pela autonomia e liberdade de cada indivíduo. Deve-se investir na satisfação dos membros da equipe, ter a preocupação de que cada pessoa tenha prazer naquilo que faz.

    Qualquer ambiente de trabalho que prive os membros de uma equipe de boas relações interpessoais, de boas experiências, que sufoque os indivíduos com prazos e horários, com exigências autoritárias que retalhem a produção intelectual exigindo foco exclusivo nas tarefas, que não permita pausas para arejar os pensamentos e que não prime pela satisfação pessoal de cada um, está fadado ao estancamento da criatividade e à falta de inovação.

    Assim como no boxe “o melhor jeito de dar um bom soco é recuando”, para inovar não se deve deixar levar pela afobação de resolver um problema, mas recuar um instante e estudar a situação, trabalhar em uma nova idéia consistente que possa solucionar um problema real e ter assim uma aceitação do público e definir uma boa estratégia. Mas para fazer esse pequeno recuo, deve-se ter a certeza que sua equipe está apta para essa tarefa. E caso essa não seja a realidade, não é substituindo membros da equipe que se conseguirá o êxito.

    Afinal, o novo profissional também vai estar inserido nesse ambiente de trabalho pouco propício e haverá períodos de treinamento ou adaptação que podem tornar esse recuo grande demais. E, assim como no boxe, se recuar demais você acaba derrotado.

    Enfim, vemos muito mais iniciativas que rompem essa antiquada linha de pensamento e postura nos Estados Unidos e Europa. Porém no Brasil, esse pensamento antiquado ainda parece para muitos ser o caminho natural.

    Se você então anseia a inovação, rompa com velhos pensamentos e busque a (R)evolução de seus conceitos e paradigmas. E a despeito do que ainda é naturalmente estabelecido, tenha uma boa atitude anti-natural.

    Para se aprofundar no tema “Inovação”, recomendo a leitura dos artigos de Ellen Kiss, mestre em Design Management e consultora em branding.


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    Especial Albert Camus

    Iniciando as comemorações do Ano da França no Brasil, que ocorrerá em 2009, a Secretaria de Estado da Cultura por meio da Oficina da Palavra – Casa Mário de Andrade realizará no dia 01/12 às 19h, a Leitura Dramática “O Improviso dos Filósofos” de Albert Camus, dirigido por Guilherme Leme, com os atores Leo Pacheco e Eucir de Souza e com comentários do Dr. Horacio González, Diretor da Biblioteca Nacional da Argentina e autor do livro “Albert Camus: Libertinagem do Sol”, e de Manuel da Costa Pinto, jornalista e crítico literário. A entrada é franca. Vagas Limitadas. Inscrições pelo telefone (11) 3666-5803.

    Sobre o texto:

    O texto “O improviso dos Filósofos”, inédito no Brasil, expõe de forma satírica os principais pontos de discordância entre Albert Camus e os intelectuais de sua época. Nesta obra, o escritor faz várias alusões diretas a Jean Paul Sartre para mostrar o efeito do existencialismo sobre uma platéia ansiosa por gurus que ditassem comportamentos transgressivos.

    Na última cena de “O improviso dos Filósofos”, na fala do diretor do hospício, há uma síntese da visão de Camus sobre a apatia dos intelectuais franceses que, naquele momento, não queriam enxergar as atrocidades cometidas em nome do Comunismo. “Gostamos tanto dos belos pensamentos que não conseguimos parar de falar o dia todo, o que não deixa muito tempo para ler. Enlouquecemos a tal ponto com o patriotismo que acabamos sendo patriotas por dois ou três países. Dilaceramo-nos em nome da paz e prometemos a prisão em nome da liberdade”.

    Albert Camus nasceu na Argélia, em 1913. Em 1940, radicou-se em Paris onde participou da resistência ao nazismo editando a revista “Combat”. Em 1957, recebeu o prêmio Nobel de Literatura. Escreveu romances famosos como O Estrangeiro, A Peste, A Queda, entre outros.

    Este projeto é uma realização da “Secretaria de Estado da Cultura” por meio da “Oficina da Palavra Casa Mário de Andrade”, com o patrocínio da Rede ASSAI Atacadista e apoio da Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo.

    Serviço:

    Dia 01 de Dezembro, às 19h00
    Oficina da Palavra – Casa Mário de Andrade
    Rua Lopes Chavez, 546 – Barra Funda
    01154-010 – São Paulo / SP
    (próximo ao Metrô Marechal Deodoro)
    Tel.: 55 (11) 3666-5803 | 3826-4085
    casamariodeandrade@assaoc.org.br


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    Palestra “A Web, o Design, o Software Livre e outras histórias…”

    Agora são 17h00…

    Daqui a exatamente uma hora começará a Oficina sobre “Desenvolvimento Web e Software Livre”, ao qual vou ministrar aqui na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais.

    A oficina está inserida na programação do Circuito de Oficinas de Produção Gráfica e Multimídia com Software Livre, projeto idealizado pelo pessoal da Revista Degrau, que é fruto de um trabalho experimental de dois estudantes de jornalismo, Ana Paula Camelo e Vinicius Wagner, que são alunos do 8° período do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (MG) e estão desenvolvendo a Revista Degrau como um dos instrumentos do seu trabalho de conclusão de curso.

    Slides da palestra “A Web, o Design, o Software Livre e outras histórias”

    Ver mais Slides de Agni no SlideShare.


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    É o fim do blog Som Barato?

    “Replicando aqui a indignação…”

    Por Ennião do blog no pau da goiaba!

    Neste mês de setembro de 2008 foi fechado o blog Som Barato que disponibilizava músicas para download gratuitamente. Responsável por um dos maiores e mais respeitados trabalhos de resgate, divulgação e preservação da música brasileira. Oportunidade para pesar nossas manifestações culturais em face de poderes absolutos de particulares. Não é acabar com gravadoras. Mas e quanto a acabar com trabalhos como o do Som Barato? Uma atitude unilateral, arbitrária, autoritária e INCONSTITUCIONAL! Ninguém do blog foi ouvido! Uma atitude dessas está longe de compreender a real conjuntura em que está a distribuição gratuita de música pela internet. De onde vem esse poder? Eu digo que como hoje é posto em debate, deixou de ser inquestionável. Mais de 2.000 discos disponíveis! Mais de 1 milhão de downloads! Visitado por pesquisadores, músicos (uns que até proíbem suas músicas na internet!!!), estudiosos, saudosistas desamparados, professores, donas de casa, policias, malabaristas, donos de gravadoras em busca de idéias, padres, padeiros, putas, ciclistas, bichas, punks, pobres, milionários, seres mutantes até grandes moluscos vermelhos! Quando a máscara vai cair? A maioria do material publicado no Som Barato nem tinha distribuição! Muita coisa nem existia em cd! E as entrevistas, textos, biografias, críticas, comentários, informaçõs e opiniões lá postadas? Também são “ilegais”? Ponto de divulgação de festas e de shows de ótimos artistas muitas vezes nem citados na grande mídia. Isso também é proibido? O blog transformou-se numa referência para encontros de fãs de música e de colecionadores de vinis. TUDO FOI SUSPENSO! TUDO ISSO É CRIME? Centenas de artistas aplaudem e tem suas carreiras renascidas graças a trabalhos como esse. Outros músicos iniciantes (muitos de soberbo talento $EM E$PAÇO NA INDÚ$TRIA FONOGRÁFICA) passaram a ter uma via direta e honesta para mostrar seus trabalhos. Então eu pergunto: Por que todos tem de pagar se uma Biscoito Fino da vida não quer “seus discos” lá? Ao povo brasileiro (e de todo o mundo) mais uma vez ficam os valores, muito além dos mensuráveis em dólar, nos cofres dos “proprietários da arte”. Lembro-me de casos como a Discos Marcus Pereira com suas centenas de discos sob guarda da EMI. O maior projeto fonográfico brasileiro quase não conhecido de seu povo. Quem tem as chaves desses porões? Muitos desses discos estavam postados no Som Barato. Prá você leitor o que é mais importante? Vale lembrar que moramos num país sem memória cultural! De quem é a culpa? Antes de apontar o dedo ou (ainda pior) proibir, vetar e executar por conta própria, vamos discutir. TODOS NÓS! TODO O POVO BRASILEIRO. Nossa arte maior está apodrecendo nas gavetas de mercenários protegidos por leis caducas. Todos podem ganhar. Novas alternativas tornam-se imprescindíveis. Quem deve se submeter? Um tempo retrógrado que insiste em negar o presente defendendo interesses próprios (e de músicos que não querem largar o osso) ou o agora que pode sim trazer empregos, desenvolvimento econômico (não é essa a desculpa “deles” quando na verdade sonham em ser milionários?) e acima de tudo liberdade e acesso irrestrito a cultura? Este sim, um bem irrenunciável e indisponível de qualquer povo que valoriza e defenda sua identidade como patrimônio essencial de sua dignidade.

    Para concluir leia esse artigo intitulado “Tabu Pirata” publicado na revista eletrônica Consultor Jurídico sobre a questão da pirataria no Brasil, o que diz as leis e o império da desinformação disseminado pela indústria. LEIA!!!!!

    Aqui vai um link que andou rodando pela net com alguns links do Som Barato. Não todos, mas muitos.

    Um pouco mais sobre o fechamento do Som Barato e seus desdobramentoes, acesse http://sembarato.blogspot.com/


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    Software Livre: Uma filosofia

    Recentemente fui convidado para conceder uma entrevista sobre a Filosofia do Software Livre para o pessoal da Revista Degrau, que é fruto de um trabalho experimental de dois estudantes de jornalismo, Ana Paula Camelo e Vinicius Wagner, que são alunos do 8° período do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (MG) e estão desenvolvendo a Revista Degrau como um dos instrumentos do seu trabalho de conclusão de curso. Segue a entrevista na integra…

    Revista Degrau: Eduardo, fale um pouco pra gente sobre a sua relação com os Softwares Livres, em âmbito pessoal e profissional.

    Agni: Sempre tive uma predileção na adoção de Softwares Livres, principalmente pela questão ideológica. Meu processo de migração definitivo deu-se no início de 2006, quando tive a oportunidade de trabalhar em uma agência no centro de São Paulo, onde utilizávamos exclusivamente Software Livre, desenvolvendo sites em ZOPE/PLONE. Lá eu trabalhava principalmente com GIMP (edição de imagens) e Inkscape (Desenho Vetorial). Meus trabalhos são mais minimalistas e sempre me apeguei muito mais à parte conceitual da criação do que aos softwares, fato que facilitou o meu processo de migração. Esse período da minha vida profissional influenciou bastante meus métodos de trabalho e meu processo de criação, todo, pois todo meu trabalho começou a ser guiado por uma outra lógica, por um outro processo. Hoje eu trabalho com Web Design utilizando Software Livre e procuro compartilhar um pouco da minha experiência através de minhas aulas, de meu site e ministrando palestras sobre o assunto.

    RD: Quais os principais motivos que fazem você utilizar softwares livres? Quais os reais benefícios para você?

    Agni: Pelas questões técnicas, posso dizer que o Software Livre é de fato muito mais seguro que as soluções proprietárias. O GNU/Linux possui desde sua idealização uma grande consideração com a segurança, sua definição de permissões é bem clara e nada será executado sem autorização do Administrador. Os riscos de invasões e infecções por vírus chegam a ser insignificantes se comparados a sistemas proprietários. Por possuir uma comunidade de milhões de programadores espalhados pelo mundo, trabalhando por paixão e não por obrigação, os Softwares Livres são muito mais testados e a correção de bugs e atualizações são muito mais rápidas do que nos Sistemas e Softwares Proprietários. Também não existe a necessidade de uma suíte de aplicativos para trabalhar (como a Creative Suite da Adobe), pois todos os softwares que você escolher para suprir suas necessidades trabalham com formatos de arquivos abertos, prevalecendo assim a compatibilidade e a liberdade na escolha das aplicações a serem usadas. O fato de o Software Livre permitir quatro liberdades essenciais (a liberdade de executar o software para qualquer uso, a liberdade de estudar o funcionamento de um programa e de adaptá-lo às suas necessidades, a liberdade de redistribuir cópias e a liberdade de melhorar o programa e de tornar as modificações públicas de modo que a comunidade inteira se beneficie da melhoria) permite a elevação do conhecimento, a autonomia tecnológica e a possibilidade de produtos diferenciados, que podem atender de forma superior as necessidades, sejam elas educacionais ou mercadológicas.

    RD: Você diria que o seu envolvimento com esse tema se dá unicamente por motivos práticos ou você considera que existem aspectos ideológicos e/ou filosóficos embutidos? Quais?

    Agni:Acredito que o que impulsiona o Movimento pelo Software Livre não é o fato de o mesmo ser “economicamente viável” ou “tecnologicamente sustentável”, mas sim o fato de ser “Socialmente Justo”. Para que haja emancipação intelectual e cultural do povo e a independência econômica para os países do Terceiro Mundo, é necessário que se tenha autonomia tecnológica. Todos os avanços relativos à qualidade de vida e educação estão diretamente ligados aos avanços tecnológicos e sabemos que as novidades tecnológicas que surgem para nós são na maioria das vezes algo trivial (ou até obsoleto) nos países de primeiro mundo. Somos grandes consumidores de lixo tecnológico!

    As possibilidades que o Software Livre traz para o aprendizado e a produção tecnológica permite que seja reduzida a dependência que temos hoje das empresas estrangeiras, fortalecendo economicamente o Brasil e outros países. As empresas monopolistas que dominam o mercado de tecnologia hoje, independente de qualquer projeto social assistencialista ao qual participem, vão colocar sempre suas expectativas de lucro acima da inclusão digital e da desigualdade social como um todo. Por isso é necessário que deixemos de ser consumidores de tecnologia e passemos a ser produtores. É necessário que abracemos com mais empenho a questão da Inclusão digital.

    Todos os avanços da Medicina ou da Tecnologia que se tem hoje não existiriam se houvesse a necessidade de pagamento de royalties pelo uso dos conhecimentos da Matemática, da Física ou da Biologia, adquiridos e compartilhados pela humanidade desde o início da civilização. O meu envolvimento com o Software Livre existe porque acredito que o conhecimento não deve permanecer oculto, mas ser compartilhado.

    RD: O que você tem a dizer sobre a visibilidade e a abrangência dos softwares livres na sua cidade, amigos, etc.?

    Agni: Eu particularmente tenho contato com um bom número de pessoas que usa e luta pelo Software Livre, principalmente alguns grupos de pessoas ligadas a Movimentos Populares. Vejo que cada vez mais pessoas se interessam em conhecer e usar Softwares Livres, existe uma popularização crescente. Temos hoje um número cada vez maior de eventos, telecentros, cursos, sites especializados e publicações sobre Software Livre.

    Não faço uma análise da abrangência do Software Livre apenas aqui na Grande São Paulo. Vejo que a proliferação dessa Cultura Livre vem acontecendo em âmbito Nacional (guardadas as devidas proporções dos grandes centros urbanos). Mas ainda temos muito o que fazer.

    RD: Você tem alguma reclamação? Algo que você acha necessário e que os softwares livres ainda não conseguiram contemplar?

    Agni: Alguns dos maiores problemas que temos hoje com Software Livre ainda são problemas de compatibilidade com certos hardwares, problemas esses causados pelos próprios fabricantes de hardware, que mantém seus drives fechados, dificultando a implementação no Linux, fato esse que eu considero um ataque direto a liberdade de escolha dos usuários.

    Estou convencido que praticamente tudo que se faz com Softwares Proprietários pode ser feito com Software Livre. Muitas pessoas apenas não sabem como fazer, não são esclarecidas. Muitos ainda tem medo do novo, medo daquilo que é desconhecido. Eu acredito que a não-adoção de Softwares Livres pela maioria das pessoas seja uma questão cultural e conceitual. Além das velhas táticas da indústria e da mídia que procuram promover o medo, a incerteza e dúvida com relação ao Software Livre, temos o problema didático de um ensino de informática baseado nos softwares, e não no conceito de uso. Hoje, não encontramos cursos de “Edição de Textos” ou “Edição de Imagens”, o que vemos são cursos de “Word” e “Photoshop”, por exemplo. Isso faz com que os usuários fiquem na verdade viciados em uma determinada ferramenta e tenham suas capacidades produtivas limitadas.

    Eu vejo que a comunidade de Software Livre leva muito pouco em consideração essa questão didática. Hoje vemos diversos eventos de Software Livre destinados a pessoas que já trabalham com Software Livre. É preciso promover ações mais didáticas, direcionadas a despertar o interesse justamente nas pessoas que não usam Software Livre, seja por falta de contato ou por falta de esclarecimento a respeito.

    RD: Você participa de algum projeto e/ou de algum grupo de discussão relacionado com esse tema?

    Agni: Além de meu próprio site, ao qual venho me esforçando para torná-lo um veículo de proliferação da Cultura Livre, procuro participar das discussões da comunidade através de fóruns, listas de discussão e participação nos eventos e encontros realizados pelo país. Tenho procurado também, unindo esforços com outros militantes pelo Software Livre, promover uma série de debates sobre o tema, inicialmente na Grande São Paulo, para posteriormente ampliar isso a outras regiões.


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    Os Possessos tem adaptação, dramaturgia e direção de Antonio Abujamra

    Com adaptação, dramaturgia e direção de Antonio Abujamra, cenários e figurinos de Cyro Del Nero, luz de Wagner Freire, preparação corporal de Mariana Muniz, música de Marcello Amalfi, produção de João Roberto Simões, a peça OS POSSESSOS, baseado no romance Os Demônios, de Dostoievski, estreiou dia 4 de julho, em temporada às quintas, sextas e sábados às 20 horas e domingo às 18 horas, na Sala Guiomar Novaes da Funarte, até final de agosto.

    A encenação traz no elenco 29 atores, além de profissionais nas áreas de direção, produção, cenografia, iluminação e música, em um total de 55 bolsistas de várias regiões do Brasil, entre elas Pernambuco, Alagoas, Brasília, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia, Mato Grosso do Sul e São Paulo (capital e Interior).

    Primeiro espetáculo a ser montado na Funarte SP, depois da reestruturação de seu espaço, Os Possessos é resultado de quatro meses de trabalhos, realizados no Programa Geografia da Palavra, projeto do novo Centro de Aperfeiçoamento Teatral do Espaço Funarte São Paulo em parceria com a OSCIP Teatro Commune.

    Sinopse

    O texto é baseado no romance Os Demônios, de Dostoievski. Na sua adaptação, Antonio Abujamra também usou como referência a versão feita para teatro por Albert Camus. Os Possessos se passa na Rússia do século 19 e trata da miséria e da injustiça que estimularam uma classe de homens insatisfeitos com o regime a tomar o poder e instaurar, mesmo que fosse através do terror, um novo modelo de governo, prenúncio de uma revolução que aconteceu de fato na Rússia, em 1917.

    De acordo com Antonio Abujamra, “Dostoievski criou um romance onde a classe dominante e decadente, com suas preocupações cotidianas e sofrimentos existenciais, convive com esses homens de mentes perturbadas pela idéia do caos e da revolta”. Explicando a escolha do texto feita pelo diretor, o assistente de direção e de dramaturgia Miguel Hernandez lembra que “no Brasil do início do século 21, a miséria e a injustiça estimulam um desejo de transformação por meio da arte e da distribuição cultural”.

    Imersão no fazer teatral

    Coordenado pelo ator e diretor Antonio Abujamra (consagrado por sua inventividade e espírito provocativo e um dos protagonistas da revolução que ocorreu na dramaturgia brasileira entre as décadas de 1960 e 1970), o projeto contou com a participação de dezenas de artistas bolsistas de diversas regiões do país.

    Durante cinco meses, na cidade de São Paulo, eles se debruçaram sobre todas as etapas da construção de um espetáculo teatral, freqüentando oficinas de Cenografia, Figurinos, Música, Produção, Iluminação, Dramaturgia, Direção e Interpretação. Todo o processo foi registrado pelo fotógrafo José Sebastião Maria de Souza, que fez mais de 7 mil cliques, entre oficinas e ensaios.

    Para Abujamra, “foi um trabalho de complexa investigação que passou pela pesquisa e questionamento de processos criativos de importantes diretores da cultura ocidental, palestras com especialistas, além de leituras dramáticas de textos referenciais”. Todos os esforços convergiram para a montagem do espetáculo Os Possessos.

    Bolsistas de várias cidades

    55 artistas de todo o Brasil foram selecionados (entre 1470) como bolsistas para o programa Geografia da Palavra, primeiro projeto do novo Centro de Aperfeiçoamento Teatral do Espaço Funarte São Paulo. Na seleção foram oferecidas 25 vagas para interpretação, 10 para direção, 5 para música, 5 para cenografia e figurinos, 5 para iluminação e para 5 produção.

    Desde março os selecionados participaram de uma imersão de quatro meses no processo de construção de um espetáculo teatral, em oficinas, de quarta a domingo, de Direção e Interpretação (a cargo do próprio Abujamra), Cenografia e Figurino (Cyro Del Nero), Trilha Sonora (Marcelo Amalfi), Iluminação (Wagner Freire), Corpo (Mariana Muniz) e Produção (Beto Simões). O trabalho contou ainda com o apoio dos assistentes de direção Miguel Hernandez e Ramiro Silveira.

    “O Geografia da Palavra ofereceu aos participantes bolsa de estudo e a possibilidade de entrar em contato com todas as etapas da montagem de uma peça. De forma inédita na Funarte São Paulo, os participantes receberam ajuda de custo no valor de R$ 800 mensais (para quem mora na Grande São Paulo) e R$ 1.100 mensais para quem veio de qualquer outro ponto do País”, comenta Abujamra. As oficinas de formação começaram nos dia 14 de março e aconteceram sempre de quarta a domingo, das 16h às 21h.

    Sobre o processo

    A programação das oficinas incluiu palestras e leituras de peças de teatro, abertas ao público em geral. Estiveram na Funarte a pesquisadora russa Elena Vássina (Teatro Russo), o poeta Boris Schnaiderman (Dostoievski), a professora Arlete Cavalieri (Meyerhold) e o diretor Zé Celso Martinez Corrêa, que leu com Abujamra o texto Stalin e Rei Lear, do chileno Gaston Salvatore.

    Outras leituras foram feitas com os bolsistas, entre elas Quando Despertarmos de entre os mortos. Depois da estréia da peça ainda vão acontecer as leituras de O Fazedor de Teatro, do alemão Thomas Bernard, e Paris-Belfort (Alcides Nogueira). Durante as oficinas, semanalmente, foram exibidos vídeos, como História do Teatro Russo, Sobre Stanislavski, Meyerhold, Tadeuz Kantor, Eugenio Barba, Peter Brook e Grandes Nomes do Teatro Ocidental, entre outros.

    Próximas edições

    De acordo com Jucca Rodrigues, da Funarte, “A Funarte de SP vai investir no aperfeiçoamento do trabalho dos artistas em formação e na formação de público. O Centro de Aperfeiçoamento Teatral é um primeiro passo neste sentido. Esperamos contribuir para uma formação artística responsável ética e estética, ao estimular nos participantes o seu potencial criativo e uma consciência apurada do mundo contemporâneo”.

    A escolha dos bolsistas, como explica Jucca Rodrigues, baseou-se, entre outros pontos, no entendimento de que o Geografia da Palavra “não objetiva a iniciação artística dos participantes, mas a concretização de uma montagem”.

    Para as próximas edições do programa, “estamos pensando em contemplar também bolsistas para as áreas de registro fotográfico, divulgação/assessoria de imprensa e monitoria (para desenvolver um trabalho de formação de público junto a escolas), entre outras”, completa Jucca Rodrigues.

    Segundo o presidente da instituição, Celso Frateschi, a Funarte SP reabriu suas portas como um espaço dedicado à formação. “O Geografia da Palavra atua tanto na formação artística quanto na formação de público e, ainda, na transformação da vocação do Espaço Funarte SP”, declarou Frateschi.

    Serviço:

    OS POSSESSOS – Baseado na obra de Dostoievski. Inspirado na versão de Albert Camus. Projeto Geografia da Palavra – do Centro de Aperfeiçoamento Teatral da Funarte – São Paulo – Sala Guiomar Novaes – Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos – São Paulo. Capacidade – Telefone 11 3662-5177. Capacidade – 140 lugares. Grátis.

    Direção, adaptação e dramaturgia – Antônio Abujamra.

    Assistência de direção: Miguel Hernandez e Ramiro Silveira.

    Assistência de dramaturgia: Marcelo Almada e Miguel Hernandez.

    Preparação Corporal: Mariana Muniz.

    Direção Musical e Trilha Sonora Especialmente Composta: Maestro Marcelo Amalfi.

    Iluminação: Wagner Freire.

    Cenografia e figurinos: Cyro Del Nero.

    Contra-regragem: Márcio Ribeiro.

    Cenotécnico: Kaspar Bojadian.

    Costureira: Zezé.

    Maquiagem: Beto.

    Programação Visual: Carolina Godefroid.

    Registro audiovisual: Pedro Paulo Zupo e equipe.

    Fotos: José Sebastião Maria de Souza.

    Diretor de Produção: João Roberto Simões.

    Produção Executiva: Alexandre Sampaio, Bruno Lellis, Geondes Antonio, Juliana Tu, Thiago Salles, Zeza Freitas.

    Bolsistas de direção: Ângela Moura (CE), Lika Rosa (RJ),Felipe de Menezes (SP), Ribamar Ribeiro (RJ).

    Bolsistas de Sonoplastia e Trilha Sonora: Celso Pan, Juliano Deane de Moraes, Orlando Nascimento, Rebeca da Coll, Ulisses Garzilo Bourdon.

    Bolsistas de iluminação: Adriana Maria da Silva (PE), André Bazan (SP), Karine Spuri (PR), Luciana Silva Marques (SP), Wagner Santoro (MG).

    Bolsistas de cenografia: Carila Matzenbacher, Clarissa Lima, Cláudia Malaco, Francine Sanches Fernandes, José Valdir Albuquerque.

    Bolsistas de figurino: Adriana Novaes Quagliato, Ana Carolina Souza, Laila Ferreira Soares.

    Fonte: Jornal Spiner


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