Software Livre também sabe desenhar

Robô louco de amor, uma obra do artista digital Ramón Miranda, que pode ser vista em http:// ramonmirandavisualart.blogspot.com/
A opção pelas tecnologias livres é cada vez maior. Grandes corporações adotam soluções livres para servidores, desenvolvimento e banco de dados. Entre os computadores pessoais, estimase que mais de 40 milhões usam o sistema operacional Linux pelo mundo. O universo do Software Livre também cresce a passos largos no Brasil e aos poucos desmitifica a ideia de que “Linux é coisa de nerd” ou “para quem odeia a Microsoft”.
Entretanto, em algumas áreas, os softwares de código aberto ainda são tabu, não emplacam boa aceitação devido a preconceitos muitas vezes alavancados pelos mercados. A computação gráfica é um bom exemplo disso. “A mistura entre indisposição para aprender, falta de informação sobre a alternativa livre, receio de mudar o processo produtivo e os mitos que envolvem o Software Livre é o motivo para a resistência”, acreditam Farid Abdelnour e Nara Oliveira, sócios do Estúdio Gunga – uma empresa de artes gráfica que trabalha apenas com plataforma livre.
A boa notícia é que muitos profissionais e empresas superaram o medo e inovaram no uso de soluções livres de computação gráfica. A Revista Tema entrevistou esses profissionais e comprovou que a aposta em softwares como Gimp, Inkscape, Scribus e Blender deixou de ser um risco e passou a ser uma certeza.
Fim do mito
Os entrevistados foram unânimes em afirmar: é possível trabalhar com segurança e qualidade em projetos profissionais desenvolvidos em soluções livres de computação gráfica. Sinal que o monopólio do mercado está com seus dias contados. O designer Edu Agni entende que um dos principais argumentos utilizados a favor dos softwares proprietários não passa de um mito. “Fala-se muito da quantidade de recursos disponíveis nessas ferramentas, mas, em grande parte dos trabalhos, ninguém usa mais do que 20% deles”, explica.
Liberdade
Para Aurélio Heckert, programador e artista digital, a dificuldade é não enxergar o software como uma ‘caixa mágica’ que faz todo o trabalho sozinha. “Muitos artistas não se apropriam dos fundamentos e prendem-se a uma sequência de botões a serem clicados. Arte de verdade não é tão cômoda”, afirma. Com o uso de soluções livres, o artista envolve-se muito mais com os detalhes de sua concepção, trabalhando sobre bases transparentes, abertas e customizáveis. Isso representa mais liberdade para criar.
Muito mais do que grátis
Esses profissionais também defendem que a escolha está motivada em aspectos técnicos e filosóficos. “O uso de ferramentas livres estimula a produção de software de código aberto, ajudando a proporcionar autonomia tecnológica em relação a empresas monopolistas e aos países imperialistas”, defende Agni.

Big Buck Bunny é uma obra do Blender Group http:// bigbuckbunny.org/
Força conjunta
Considerando que esses softwares possuem um tempo bem menor de existência que os softwares proprietários, eles tiveram uma evolução muito mais rápida e isso se deve às suas comunidades de sustentação. “O trabalho de desenvolvimento descentralizado possibilita que muitas pessoas discutam e opinem diretamente sobre as reais necessidades profissionais que essas ferramentas precisam suprir. Isso proporciona inovações que promovem a criação mais constante de novas versões”, conclui Agni.
Outro ponto positivo é o suporte. De acordo com Wille Marcel, webdesigner, a interação com outros profissionais viabilizada pelas comunidades é imprescindível para um bom trabalho. “Quando tenho uma dúvida, posso perguntar diretamente para outros usuários, existe uma quantidade muito grande de pessoas participando das listas de discussão. O pessoal ajuda bastante a resolver problemas”.
Mercado
A entrada de novas tecnologias exige formação e adequações no mercado para dar possibilidades às empresas e clientes. Pensando nisso, a Comunidade do Inkscape Brasil elaborou um mapa de profissionais de criação que trabalham com softwares como Gimp, Inkscape, Blender e Scribus, acesse: http://wiki.softwarelivre.org/InkscapeBrasil/Profissionais. O mapeamento ainda não apresenta variadas opções, mas já é um norte para quem deseja contratar profissionais qualificados em tecnologias livres. Se você é um profissional de artes gráficas e trabalha com software livre, cadastre-se.
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Excelente post! Utilizo Linux a aproximadamente 5 anos e a evolução é impressionante. Com relação aos softwares gráficos estou me aprofundando mais no Gimp para deixar de lado o photoshop, como bem abordado no post, tudo que é essencial para se desenvolver um trabalho gráfico de qualidade possuímos hoje para fazer com os softwares open source.
Olá, ótimo post. Trabalho há 6 anos com softwares livres e concordo com tudo que escreveu aqui. Em comunidades de distribuições Linux vemos alguns produtos excelentes criados por amigos que dominam Gimp, Inkscape, Blender, etc. Sim, é possível usarmos opensource em nossos projetos, usando Linux, Windows ou Mac, sem dores de cabeça. Mas por favor, se usarem Windows ou Mac, não se esqueçam de pagar pelas licenças… Eu continuo usando Linux sem dores de cabeça.
Olá Willian.
Você, assim como muitos outros profissionais, são a prova de que o Software Livre está apto para o uso profissional. Resta ao mercado e aos profissionais da área vencer o medo com relação a esses softwares.
Abçs
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