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Campus Party: foi bom pra você?

O fato é que muita gente estava lá, de Cientista maluco até o Inventor da Web, de famosos blogueiros a ińdios, de coelhinhas a cachorro louco, de Gamers ao próprio Tux.

O que toda essa gente reunida tirou de proveito da Campus Party (além de Gigabytes de arquivos), e sobre o que se pode reclamar de fato (desconsiderando a falta de cerveja)?

Positivo: Interação e Colaboração

A Campus Party é um evento único, que deu a possibilidade das pessoas aplicarem no mundo real o que mais se estima hoje na Web: a Interação e a Colaboração. Um evento feito muito mais pelos participantes do que pelos organizadores. podendo relembrar a velha tônica do Movimento Punk: Do it Yourself!

Apesar de muita gente ter se queixado sobre um certo “baixo nível” das palestras e oficinas (analises que na maioria das vezes foram injustas), a proximidade entre os palestrantes das diversas áreas e as pessoas que acompanhavam tudo de seus Pufes deixava as portas abertas para essa Interação e Colaboração, para o questionamento e a criação de uma discussão muito maior e produtiva. Essa era a ideia, e algumas palestras em que isso aconteceu foram realmente produtivas. Mas talvez a vida real seja 2.0 demais para algumas pessoas, que ficavam fisicamente em silêncio, se limitando as Tuitadas!

O espaço do BarCamp possibilitou a reunião de diversos profissionais, entusiastas e curiosos, reencontrando amigos, conhecendo pessoas ao qual tinham contato apenas pela Internet, discutindo em desconferências sobre tendências, projetos ou papos mais descontraidos. Mas talvez a sede da maioria em ficar na frente do computador usufruindo da suposta Internet de 10Gb para Tuitar, postar fotos no Flickr e ser indexado, ou baixar todas as temporadas do Lost e coisas do gênero, fez com que esse espaço não fosse aproveitado como deveria. Até o Fumodramo improvisado no Portão 2 do “Centro de Exposições Imigrantes” (local do evento) se tornou um espaço de interação (mas lembrem-se crianças, fumar faz mal a saúde).

Um dos grandes méritos do evento (se não o maior deles) foi a troca de experiências entre diversos profissionais, de diversas áreas de tecnologia e comunicação, tanto pelo fácil acesso aos palestrantes (e as conversas esticadas para além da palestra), como a própria proximidade entre os participantes, entre eles diversas empresas e agências que se mudaram de mala e cuia para o evento durante aquela semana. Além do espaço do CP Labs, que possibilitou que muitos jovens empreendedores pudessem mostrar sua cara, suas idéias e seus projetos, para uma bancada de profissionais de peso.

Outra iniciativa de grande valor foi a área de Inclusão Digital na Expo e Lazer, área do evento que era aberta ao público. A área de Inclusão contou com oficinas temáticas, com a abertura de debates que contaram com a participação de diversos coletivos como o Metareciclagem e o GT de Cultura Digital dos Pontos de Cultura, além do Batismo Digital de diversas pessoas que nunca haviam usado o computador. O cantor e ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil inaugurou as atividades da área de Inclusão Digital, com uma “palestra-musical”.

Também não poderia deixar de falar sobre a presença carismática de Sir Tim Berners-Lee, o inventor do World Wide Web e diretor do World Wide Web Consortium, que participou da abertura do evento, e fez na terça-feira do dia 20 sua rápida palestra sobre Web Semântica, deixando no final o recado para os Campuseiros: “É muito importante que a Internet permaneça aberta. O futuro está nas mãos de vocês. Se o browser que você usa não tem padrões abertos, não use esse browser. Vocês fazem a escolha. Vocês estão no controle”.

Negativo: Falhas na Organização e na Estrutura

Como era de se esperar em um evento desse porte, falhas aconteceram. Algumas aceitáveis e outras imperdoáveis, que se não chegaram a comprometer o evento como um todo, porém estragou a festa de muita gente.

A escolha do “Centro de Exposições Imigrantes” como local do evento foi tido para muita gente como falha, devido ao isolamento do local, o que impossibilitava o fácil acesso ao transporte público e outros locais para alimentação, obrigando os Campuseiros a comer da cara e péssima comida vendida no local. Muitos também reclamaram do bandeijão servido pela organização para aqueles que pagaram o pacote de alimentação inclusa.

A bagunça auditiva gerada pela proximidade e acústica inadequada das áreas fez com que por várias vezes o som das palestras se confundisse, assim como os anúncios e momentos de patrocinadores no palco principal atrapalhavam todas as atividades. Também uma aparente falta de integração entre a organização das diferentes áreas fez com que temas se repetissem, como por exemplo o acontecimento de oficinas de HTML e CSS tanto na área de Design como na CampusBlog.

Também foi grande o número de atividades em uma determinada área, que poderiam interessar participantes de outras áreas. Um exemplo disso foram algumas atividades na área de Software Livre, como as palestras sobre a linguagem de programação Python, que poderiam interessar os participantes da área de Desenvolvimento, ou como a palestra sobre edição de vídeos com o software LiVES, que poderia interessar os participantes da área de Vídeo, ou ainda a palestra Compartilhar e copiar em legítima defesa, que acabou interessando muitos participantes da área de Música, boa parte deles artístas independentes. Uma possível solução para isso poderia ser o Tagueamento das atividades, ao invés da simples divisão em categorias (áreas). Dessa forma os Campuseiros poderiam escolher os temas de seu interesse, independente de onde eles estivessem acontecendo, ao invés de se focar em uma determinada área.

Problemas com o despreparo da equipe de apoio e da equipe de segurança também prejudicaram a boa harmonia do evento, e diversos equipamentos e carteiras foram roubados. Além das passadas de mão na bunda e desavenças com Rappers, que já foram exaustivamente comentadas por ai.

E ai, foi bom pra você?

Todas as falhas que o evento teve devem ser reclamadas, pois só assim esses erros poderão ser corrigidos, para que tenhamos um evento melhor no ano que vem. Mas também é importante que todos que passaram por lá façam sua própria auto-avaliação.

Devemos lembrar sempre de que esses eventos, assim como a Internet, é feito pelas pessoas que participam, e que a Tecnologia deve sempre ter como meta principal a melhoria da qualidade de vida para todos.

Valores como Interação, Colaboração e Liberdade, que são tão difundidos na Internet, devem ser aplicados mais efetivamente na vida real.

É o fim do blog Som Barato?

“Replicando aqui a indignação…”

Por Ennião do blog no pau da goiaba!

Neste mês de setembro de 2008 foi fechado o blog Som Barato que disponibilizava músicas para download gratuitamente. Responsável por um dos maiores e mais respeitados trabalhos de resgate, divulgação e preservação da música brasileira. Oportunidade para pesar nossas manifestações culturais em face de poderes absolutos de particulares. Não é acabar com gravadoras. Mas e quanto a acabar com trabalhos como o do Som Barato? Uma atitude unilateral, arbitrária, autoritária e INCONSTITUCIONAL! Ninguém do blog foi ouvido! Uma atitude dessas está longe de compreender a real conjuntura em que está a distribuição gratuita de música pela internet. De onde vem esse poder? Eu digo que como hoje é posto em debate, deixou de ser inquestionável. Mais de 2.000 discos disponíveis! Mais de 1 milhão de downloads! Visitado por pesquisadores, músicos (uns que até proíbem suas músicas na internet!!!), estudiosos, saudosistas desamparados, professores, donas de casa, policias, malabaristas, donos de gravadoras em busca de idéias, padres, padeiros, putas, ciclistas, bichas, punks, pobres, milionários, seres mutantes até grandes moluscos vermelhos! Quando a máscara vai cair? A maioria do material publicado no Som Barato nem tinha distribuição! Muita coisa nem existia em cd! E as entrevistas, textos, biografias, críticas, comentários, informaçõs e opiniões lá postadas? Também são “ilegais”? Ponto de divulgação de festas e de shows de ótimos artistas muitas vezes nem citados na grande mídia. Isso também é proibido? O blog transformou-se numa referência para encontros de fãs de música e de colecionadores de vinis. TUDO FOI SUSPENSO! TUDO ISSO É CRIME? Centenas de artistas aplaudem e tem suas carreiras renascidas graças a trabalhos como esse. Outros músicos iniciantes (muitos de soberbo talento $EM E$PAÇO NA INDÚ$TRIA FONOGRÁFICA) passaram a ter uma via direta e honesta para mostrar seus trabalhos. Então eu pergunto: Por que todos tem de pagar se uma Biscoito Fino da vida não quer “seus discos” lá? Ao povo brasileiro (e de todo o mundo) mais uma vez ficam os valores, muito além dos mensuráveis em dólar, nos cofres dos “proprietários da arte”. Lembro-me de casos como a Discos Marcus Pereira com suas centenas de discos sob guarda da EMI. O maior projeto fonográfico brasileiro quase não conhecido de seu povo. Quem tem as chaves desses porões? Muitos desses discos estavam postados no Som Barato. Prá você leitor o que é mais importante? Vale lembrar que moramos num país sem memória cultural! De quem é a culpa? Antes de apontar o dedo ou (ainda pior) proibir, vetar e executar por conta própria, vamos discutir. TODOS NÓS! TODO O POVO BRASILEIRO. Nossa arte maior está apodrecendo nas gavetas de mercenários protegidos por leis caducas. Todos podem ganhar. Novas alternativas tornam-se imprescindíveis. Quem deve se submeter? Um tempo retrógrado que insiste em negar o presente defendendo interesses próprios (e de músicos que não querem largar o osso) ou o agora que pode sim trazer empregos, desenvolvimento econômico (não é essa a desculpa “deles” quando na verdade sonham em ser milionários?) e acima de tudo liberdade e acesso irrestrito a cultura? Este sim, um bem irrenunciável e indisponível de qualquer povo que valoriza e defenda sua identidade como patrimônio essencial de sua dignidade.

Para concluir leia esse artigo intitulado “Tabu Pirata” publicado na revista eletrônica Consultor Jurídico sobre a questão da pirataria no Brasil, o que diz as leis e o império da desinformação disseminado pela indústria. LEIA!!!!!

Aqui vai um link que andou rodando pela net com alguns links do Som Barato. Não todos, mas muitos.

Um pouco mais sobre o fechamento do Som Barato e seus desdobramentoes, acesse http://sembarato.blogspot.com/

Software Livre: Uma filosofia

Recentemente fui convidado para conceder uma entrevista sobre a Filosofia do Software Livre para o pessoal da Revista Degrau, que é fruto de um trabalho experimental de dois estudantes de jornalismo, Ana Paula Camelo e Vinicius Wagner, que são alunos do 8° período do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (MG) e estão desenvolvendo a Revista Degrau como um dos instrumentos do seu trabalho de conclusão de curso. Segue a entrevista na integra…

Revista Degrau: Eduardo, fale um pouco pra gente sobre a sua relação com os Softwares Livres, em âmbito pessoal e profissional.

Agni: Sempre tive uma predileção na adoção de Softwares Livres, principalmente pela questão ideológica. Meu processo de migração definitivo deu-se no início de 2006, quando tive a oportunidade de trabalhar em uma agência no centro de São Paulo, onde utilizávamos exclusivamente Software Livre, desenvolvendo sites em ZOPE/PLONE. Lá eu trabalhava principalmente com GIMP (edição de imagens) e Inkscape (Desenho Vetorial). Meus trabalhos são mais minimalistas e sempre me apeguei muito mais à parte conceitual da criação do que aos softwares, fato que facilitou o meu processo de migração. Esse período da minha vida profissional influenciou bastante meus métodos de trabalho e meu processo de criação, todo, pois todo meu trabalho começou a ser guiado por uma outra lógica, por um outro processo. Hoje eu trabalho com Web Design utilizando Software Livre e procuro compartilhar um pouco da minha experiência através de minhas aulas, de meu site e ministrando palestras sobre o assunto.

RD: Quais os principais motivos que fazem você utilizar softwares livres? Quais os reais benefícios para você?

Agni: Pelas questões técnicas, posso dizer que o Software Livre é de fato muito mais seguro que as soluções proprietárias. O GNU/Linux possui desde sua idealização uma grande consideração com a segurança, sua definição de permissões é bem clara e nada será executado sem autorização do Administrador. Os riscos de invasões e infecções por vírus chegam a ser insignificantes se comparados a sistemas proprietários. Por possuir uma comunidade de milhões de programadores espalhados pelo mundo, trabalhando por paixão e não por obrigação, os Softwares Livres são muito mais testados e a correção de bugs e atualizações são muito mais rápidas do que nos Sistemas e Softwares Proprietários. Também não existe a necessidade de uma suíte de aplicativos para trabalhar (como a Creative Suite da Adobe), pois todos os softwares que você escolher para suprir suas necessidades trabalham com formatos de arquivos abertos, prevalecendo assim a compatibilidade e a liberdade na escolha das aplicações a serem usadas. O fato de o Software Livre permitir quatro liberdades essenciais (a liberdade de executar o software para qualquer uso, a liberdade de estudar o funcionamento de um programa e de adaptá-lo às suas necessidades, a liberdade de redistribuir cópias e a liberdade de melhorar o programa e de tornar as modificações públicas de modo que a comunidade inteira se beneficie da melhoria) permite a elevação do conhecimento, a autonomia tecnológica e a possibilidade de produtos diferenciados, que podem atender de forma superior as necessidades, sejam elas educacionais ou mercadológicas.

RD: Você diria que o seu envolvimento com esse tema se dá unicamente por motivos práticos ou você considera que existem aspectos ideológicos e/ou filosóficos embutidos? Quais?

Agni:Acredito que o que impulsiona o Movimento pelo Software Livre não é o fato de o mesmo ser “economicamente viável” ou “tecnologicamente sustentável”, mas sim o fato de ser “Socialmente Justo”. Para que haja emancipação intelectual e cultural do povo e a independência econômica para os países do Terceiro Mundo, é necessário que se tenha autonomia tecnológica. Todos os avanços relativos à qualidade de vida e educação estão diretamente ligados aos avanços tecnológicos e sabemos que as novidades tecnológicas que surgem para nós são na maioria das vezes algo trivial (ou até obsoleto) nos países de primeiro mundo. Somos grandes consumidores de lixo tecnológico!

As possibilidades que o Software Livre traz para o aprendizado e a produção tecnológica permite que seja reduzida a dependência que temos hoje das empresas estrangeiras, fortalecendo economicamente o Brasil e outros países. As empresas monopolistas que dominam o mercado de tecnologia hoje, independente de qualquer projeto social assistencialista ao qual participem, vão colocar sempre suas expectativas de lucro acima da inclusão digital e da desigualdade social como um todo. Por isso é necessário que deixemos de ser consumidores de tecnologia e passemos a ser produtores. É necessário que abracemos com mais empenho a questão da Inclusão digital.

Todos os avanços da Medicina ou da Tecnologia que se tem hoje não existiriam se houvesse a necessidade de pagamento de royalties pelo uso dos conhecimentos da Matemática, da Física ou da Biologia, adquiridos e compartilhados pela humanidade desde o início da civilização. O meu envolvimento com o Software Livre existe porque acredito que o conhecimento não deve permanecer oculto, mas ser compartilhado.

RD: O que você tem a dizer sobre a visibilidade e a abrangência dos softwares livres na sua cidade, amigos, etc.?

Agni: Eu particularmente tenho contato com um bom número de pessoas que usa e luta pelo Software Livre, principalmente alguns grupos de pessoas ligadas a Movimentos Populares. Vejo que cada vez mais pessoas se interessam em conhecer e usar Softwares Livres, existe uma popularização crescente. Temos hoje um número cada vez maior de eventos, telecentros, cursos, sites especializados e publicações sobre Software Livre.

Não faço uma análise da abrangência do Software Livre apenas aqui na Grande São Paulo. Vejo que a proliferação dessa Cultura Livre vem acontecendo em âmbito Nacional (guardadas as devidas proporções dos grandes centros urbanos). Mas ainda temos muito o que fazer.

RD: Você tem alguma reclamação? Algo que você acha necessário e que os softwares livres ainda não conseguiram contemplar?

Agni: Alguns dos maiores problemas que temos hoje com Software Livre ainda são problemas de compatibilidade com certos hardwares, problemas esses causados pelos próprios fabricantes de hardware, que mantém seus drives fechados, dificultando a implementação no Linux, fato esse que eu considero um ataque direto a liberdade de escolha dos usuários.

Estou convencido que praticamente tudo que se faz com Softwares Proprietários pode ser feito com Software Livre. Muitas pessoas apenas não sabem como fazer, não são esclarecidas. Muitos ainda tem medo do novo, medo daquilo que é desconhecido. Eu acredito que a não-adoção de Softwares Livres pela maioria das pessoas seja uma questão cultural e conceitual. Além das velhas táticas da indústria e da mídia que procuram promover o medo, a incerteza e dúvida com relação ao Software Livre, temos o problema didático de um ensino de informática baseado nos softwares, e não no conceito de uso. Hoje, não encontramos cursos de “Edição de Textos” ou “Edição de Imagens”, o que vemos são cursos de “Word” e “Photoshop”, por exemplo. Isso faz com que os usuários fiquem na verdade viciados em uma determinada ferramenta e tenham suas capacidades produtivas limitadas.

Eu vejo que a comunidade de Software Livre leva muito pouco em consideração essa questão didática. Hoje vemos diversos eventos de Software Livre destinados a pessoas que já trabalham com Software Livre. É preciso promover ações mais didáticas, direcionadas a despertar o interesse justamente nas pessoas que não usam Software Livre, seja por falta de contato ou por falta de esclarecimento a respeito.

RD: Você participa de algum projeto e/ou de algum grupo de discussão relacionado com esse tema?

Agni: Além de meu próprio site, ao qual venho me esforçando para torná-lo um veículo de proliferação da Cultura Livre, procuro participar das discussões da comunidade através de fóruns, listas de discussão e participação nos eventos e encontros realizados pelo país. Tenho procurado também, unindo esforços com outros militantes pelo Software Livre, promover uma série de debates sobre o tema, inicialmente na Grande São Paulo, para posteriormente ampliar isso a outras regiões.

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