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Quem deve aprender HTML?

Muito bem pessoas, como nesse Campus Party de 2009 eu fiquei encarregado de ministrar a palestra sobre “Web Standards” (23/01 as 15h00, nível avançado) e a Oficina “HTML e CSS para Designers…não programadores” (24/01 as 20h00, nível básico), vou começar a partir de agora uma serie de postagens relacionadas ao assunto “HTML / XHTML / CSS / Web Standards / Acessibilidade“.

Para iniciar, trago aqui uma discussão que partiu de alguns alunos meus do curso de “Habilidades Online”, organizado pela Escola de Comunicação do Portal Comunique-se, quando após uma aula de Wordpress, eu comentava com eles sobre qual seria o tema das próximas aulas (HTML), e partiu deles o questionamento: porque um profissional que não trabalha com desenvolvimento de sites deveria aprender HTML?

Recebendo a questão assim, sem muito tempo pra “molhar o bico” e bem na hora de ir embora, argumentei que o fato de conhecer HTML e saber como as páginas são feitas poderia ajuda-los a navegar de forma mais segura e aumentar a produtividade. Bem, eu concordo que isso por si só não foi uma resposta das mais convincentes, e os alunos (que na sua grande maioria são Jornalistas) não gostaram muito da ideia de aprender HTML, afirmando que prefeririam aprender mais coisas sobre Wordpress ou até mesmo aprender Dreamweaver. Então, achei que devia convence-los!

A primeira coisa que fiz foi jogar essa questão em algumas listas de discussão, para que outros profissionais que também usam a Internet como ferramenta de trabalho (não necessariamente Web Designers ou Programadores) colocassem seus pontos de vista, e consegui uma pequena discussão de aproximadamente 70 a 80 e-mails, em 3 listas de discussão.

Alguns pessoas opnaram que nenhum profissional que usa a Internet como ferramenta precisaria aprender HTML (a não ser que trabalhasse desenvolvendo sites), porque hoje as ferramentas disponíveis (blog’s, CMS’s, etc) fornecem recursos para publicação de conteúdo sem a necessidade de se conhecer uma linguagem de marcação, através de editores do tipo WYSIWYG. Alguns usaram analogias do tipo “se eu compro uma TV, não quero saber como funciona por dentro, quero apenas apertar o botão e ve-la funcionar!”.

Porém a grande maioria daqueles que opnaram se mostraram favoráveis a que “todo profissional que usa a Internet como ferramenta deveria sim conhecer HTML“. O primeiro comentário que achei mais interessante foi o do Jader Rubini, que disse:

“assim como quem está na auto-escola tem que aprender noções de mecânica (ainda que ele leve o carro a um mecânico a cada barulho estranho que notar), todos os que trabalham com internet, direta ou indiretamente, devem ter noções básicas de HTML”

Seguindo o mesmo raciocínio automobilístico, o Marlos Ápyus comentou:

“Eu não sou mecânico, não construo nem conserto carros, mas é sempre bom que eu, enquanto motorista (ou seja, enquanto alguém que utiliza o carro para os mais variados fins) saiba ao menos conferir o nível do óleo, a calibragem dos pneus, trocar um pneu, etc”

Logicamente, nenhum profissional é obrigado a aprender HTML, assim como conhecer HTML não é nenhum pré-requisito para se trabalhar usando a Internet, porém é inegável que as pessoas que aprendem HTML (assim como as que aprendem sobre o que é o HTTP, FTP, POP e SMTP, DNS, TCP/IP, Banco de Dados, etc) terão uma navegação mais segura e um melhor desempenho. Cansei de ver profissionais que trabalham com Internet não saberem postar um link em um e-mail, ou não saberem o que fazer quando não conseguem acessar um site em que o navegador indica que o “Certificado de segurança” expirou ou é inválido, ou então não entenderem o porque ao clicar em um link de contato em uma página não aparece um formulário, mas sim uma janela de um tal de “Outlook”, que eles nem sabiam pra que servia.

Claro que não estamos falando de “usuários finais” na forma mais específica, mas daqueles que realmente usam a Internet como ferramenta de trabalho. Conhecer HTML ajudará a entender a demanda de trabalho daqueles profissionais de Desenvolvimento que fazem parte da sua equipe, ou que você contratou para fazer um “sitezinho”, para entender porque em certos casos não é aconselhável usar “Flash” em todo o site por questões de Acessibilidade (que será tema de outro post), ou até mesmo para conhecer o destino de um link olhando na “barra de status”, e não clicar caso o final da URL seja um “.exe“.

HTML não é nenhum “bicho de sete cabeças”. É lógico que para ser um HTMLer de respeito exige esforço, da mesma forma que exigia-se para ser um datilografo de primeira linha. Aqueles que usavam a máquina de escrever com apenas dois dedos são capazes de aprender algumas tags de HTML.

E você que lê isso agora, acha que é importante que os novos profissionais, aqueles que usam a Internet como ferramenta de trabalho, aprendam HTML?

A Mídia Tradicional e a Mídia Independente nos tempos da Web 2.0

Antes da ascensão da Web Colaborativa, a Mídia Independente – rádios comunitárias (rádios-pirata), jornais de baixa circulação e fanzines – apesar de nunca deixarem de ser vistos com uma dose de cautela pela Grande Mídia (Rádios e TV’s, Revistas e Jornais), Governos e Corporações, nunca foi vista de fato como grande ameaça aos seus interesses. Mas, com o advento da Web Colaborativa (ou como alguns preferem chamar, Web 2.0), onde o custo para a publicação de conteúdo com alcance Global é praticamente zero, a Mídia Independente pode crescer de forma exponencial, através de veículos como listas de discussão, boletins por correio eletrônico, Redes Sociais, Podcasting de áudio e vídeo, Blogs e Fotologs, trazendo à público de forma muito mais impactante informações que contradizem o que é veiculado pela Mídia Tradicional, ao ponto de fazer tremer a Grande Mídia (vide a briga Estadão X Blogueiros).

Mas será que toda forma de Mídia Independente na Internet é realmente Independente? Será que os modelos de Mídia Independente na Web não podem ser manipulados por interesses de terceiros?

Desde sempre pudemos verificar na Grande Mídia (principalmente em épocas de eleição) tentativas de induzir e influenciar (quando não alienar) ideologicamente a população, tanto por interesses políticos como financeiros (recomendo que assistam os filmes “Muito além do Cidadão Kane” e “Quanto Vale ou é por Quilo?“). Basta pesquisar quantos políticos hoje são diretamente concessionários de rádios e TV’s para reforçar essa idéia. Desde sempre, a Mídia Tradicional procura fornecer uma enxurrada de informações, em grande volume e velocidade, para que a população possa apenar assimilar e aceitar as informações, e nunca analisá-las. Mas claro que nem toda a Mídia Tradicional tem esse caracter (não podemos nunca generalizar), porem salvo raras excessões. Iniciativas Independentes de manifestar opiniões podiam ser facilmente desacreditadas pela Grande Mídia, por não terem de fato grande veiculação nem um espaço impactante o suficiente para replicas.

Porém essa história, na atual fase Colaborativa da Web, é bem diferente. Hoje temos uma enxurrada de informação publicada de forma independente (um Jornalismo Cidadão, como alguns preferem chamar), e que não são apenas empurradas garganta abaixo, mas discutidas (vide as Listas de discussão, comunidades no Orkut ou comentários nos Blogs). Já temos hoje diversos portais de notícias feitos por pessoas comuns e que participam diretamente dos fatos, como o WikiNews e o CMI, o que gera uma informação independente, confiável, precisa, abrangente e relevante. Porém não é difícil encontrar conhecidos Portais na Web que, aproveitando a onda, criaram sua própria área de “Leitor-Repórter”, o que não deixa de ser um aproveitamento comercial do material gerado por leitores.

Hoje, a Grande Mídia Tradicional, que sempre subjugou a capacidade da população de fazer algum julgamento racional e inteligente das informações veiculadas, hoje pode ser rebatida por um grande número de indivíduos publicando informações com grande alcance e velocidade. E por mais que boa parte da população das periferias ainda não tenha acesso a Web, acabam sendo atingidas indiretamente por esse conteúdo, por novos indivíduos formadores de opinião, que podem obter essas informações, e interagir e discutir com essas pessoas.

Apesar da Grande Mídia, Governos e Corporações ainda usarem de táticas que procuram promover o medo, incerteza e dúvida com relação a Mídia Independente (assim como acontece nas campanhas das empresas de Software Proprietário contra o Software Livre), o receptor final das informações veiculadas já não é mais passivo como em outras épocas, e tem cada vez mais senso crítico e acesso a informações de qualidade.

Porém, há que se ter cuidado com certas informações lidas nas esferas independentes da Web, como Blogs e Redes Sociais, pois por serem meios onde a informação pode circular de forma anônima, fica fácil (e é feito) para Empresas e Políticos interagirem nos meios Independentes. Nada garante, por exemplo, que indicações no Digg, comunidades no Orkut ou vídeos publicados no Youtube sejam feitos por pessoas de forma Independente ou por Governos e Corporações se passando por indivíduos independentes, trabalhando para induzir a opinião pública de forma Viral. Algumas agências e empresas já anunciam ter pessoas especializadas em interagir dentro de Redes Sociais para campanhas publicitárias. O problema é que não sabemos quantos Políticos, Entidades e Corporações em geral tem pessoas agindo dentro de Redes Sociais para disseminar campanhas ideológicas. Basta analisarmos a quantidade de Comunidades e Perfis no Orkut criados na última eleição para promover ou denegrir candidatos e partidos, para se ter uma idéia do que quero dizer.

Podemos concluir que, com a democratização e crescimento cada vez maior da Web Colaborativa, a Mídia Independente tende cada vez mais a crescer, a população tende cada vez mais a ter voz ativa, senso crítico e opinião própria. Porém, ainda temos que ser bem cautelosos e ter um senso crítico cada vez mais apurado contra as investidas daqueles que detém o Poder, contra essa nova forma de Liberdade de expressão.

Como diria o ex-Dead Kennedy Jello Biafra, “não odeie a mídia: seja a mídia!”

“Ser uma alternativa à mídia oficial e contribuir para que as pessoas possam ter senso crítico. A mídia tradicional tem o poder de aliciar corações e destruir mentes. O radical não se sente dono do tempo, nem dono dos homens, nem libertador dos oprimidos. Com eles se compromete, dentro do tempo, para com eles lutar.” (PAULO FREIRE)

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