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É o fim do blog Som Barato?

“Replicando aqui a indignação…”

Por Ennião do blog no pau da goiaba!

Neste mês de setembro de 2008 foi fechado o blog Som Barato que disponibilizava músicas para download gratuitamente. Responsável por um dos maiores e mais respeitados trabalhos de resgate, divulgação e preservação da música brasileira. Oportunidade para pesar nossas manifestações culturais em face de poderes absolutos de particulares. Não é acabar com gravadoras. Mas e quanto a acabar com trabalhos como o do Som Barato? Uma atitude unilateral, arbitrária, autoritária e INCONSTITUCIONAL! Ninguém do blog foi ouvido! Uma atitude dessas está longe de compreender a real conjuntura em que está a distribuição gratuita de música pela internet. De onde vem esse poder? Eu digo que como hoje é posto em debate, deixou de ser inquestionável. Mais de 2.000 discos disponíveis! Mais de 1 milhão de downloads! Visitado por pesquisadores, músicos (uns que até proíbem suas músicas na internet!!!), estudiosos, saudosistas desamparados, professores, donas de casa, policias, malabaristas, donos de gravadoras em busca de idéias, padres, padeiros, putas, ciclistas, bichas, punks, pobres, milionários, seres mutantes até grandes moluscos vermelhos! Quando a máscara vai cair? A maioria do material publicado no Som Barato nem tinha distribuição! Muita coisa nem existia em cd! E as entrevistas, textos, biografias, críticas, comentários, informaçõs e opiniões lá postadas? Também são “ilegais”? Ponto de divulgação de festas e de shows de ótimos artistas muitas vezes nem citados na grande mídia. Isso também é proibido? O blog transformou-se numa referência para encontros de fãs de música e de colecionadores de vinis. TUDO FOI SUSPENSO! TUDO ISSO É CRIME? Centenas de artistas aplaudem e tem suas carreiras renascidas graças a trabalhos como esse. Outros músicos iniciantes (muitos de soberbo talento $EM E$PAÇO NA INDÚ$TRIA FONOGRÁFICA) passaram a ter uma via direta e honesta para mostrar seus trabalhos. Então eu pergunto: Por que todos tem de pagar se uma Biscoito Fino da vida não quer “seus discos” lá? Ao povo brasileiro (e de todo o mundo) mais uma vez ficam os valores, muito além dos mensuráveis em dólar, nos cofres dos “proprietários da arte”. Lembro-me de casos como a Discos Marcus Pereira com suas centenas de discos sob guarda da EMI. O maior projeto fonográfico brasileiro quase não conhecido de seu povo. Quem tem as chaves desses porões? Muitos desses discos estavam postados no Som Barato. Prá você leitor o que é mais importante? Vale lembrar que moramos num país sem memória cultural! De quem é a culpa? Antes de apontar o dedo ou (ainda pior) proibir, vetar e executar por conta própria, vamos discutir. TODOS NÓS! TODO O POVO BRASILEIRO. Nossa arte maior está apodrecendo nas gavetas de mercenários protegidos por leis caducas. Todos podem ganhar. Novas alternativas tornam-se imprescindíveis. Quem deve se submeter? Um tempo retrógrado que insiste em negar o presente defendendo interesses próprios (e de músicos que não querem largar o osso) ou o agora que pode sim trazer empregos, desenvolvimento econômico (não é essa a desculpa “deles” quando na verdade sonham em ser milionários?) e acima de tudo liberdade e acesso irrestrito a cultura? Este sim, um bem irrenunciável e indisponível de qualquer povo que valoriza e defenda sua identidade como patrimônio essencial de sua dignidade.

Para concluir leia esse artigo intitulado “Tabu Pirata” publicado na revista eletrônica Consultor Jurídico sobre a questão da pirataria no Brasil, o que diz as leis e o império da desinformação disseminado pela indústria. LEIA!!!!!

Aqui vai um link que andou rodando pela net com alguns links do Som Barato. Não todos, mas muitos.

Um pouco mais sobre o fechamento do Som Barato e seus desdobramentoes, acesse http://sembarato.blogspot.com/

Software Livre: Uma filosofia

Recentemente fui convidado para conceder uma entrevista sobre a Filosofia do Software Livre para o pessoal da Revista Degrau, que é fruto de um trabalho experimental de dois estudantes de jornalismo, Ana Paula Camelo e Vinicius Wagner, que são alunos do 8° período do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (MG) e estão desenvolvendo a Revista Degrau como um dos instrumentos do seu trabalho de conclusão de curso. Segue a entrevista na integra…

Revista Degrau: Eduardo, fale um pouco pra gente sobre a sua relação com os Softwares Livres, em âmbito pessoal e profissional.

Agni: Sempre tive uma predileção na adoção de Softwares Livres, principalmente pela questão ideológica. Meu processo de migração definitivo deu-se no início de 2006, quando tive a oportunidade de trabalhar em uma agência no centro de São Paulo, onde utilizávamos exclusivamente Software Livre, desenvolvendo sites em ZOPE/PLONE. Lá eu trabalhava principalmente com GIMP (edição de imagens) e Inkscape (Desenho Vetorial). Meus trabalhos são mais minimalistas e sempre me apeguei muito mais à parte conceitual da criação do que aos softwares, fato que facilitou o meu processo de migração. Esse período da minha vida profissional influenciou bastante meus métodos de trabalho e meu processo de criação, todo, pois todo meu trabalho começou a ser guiado por uma outra lógica, por um outro processo. Hoje eu trabalho com Web Design utilizando Software Livre e procuro compartilhar um pouco da minha experiência através de minhas aulas, de meu site e ministrando palestras sobre o assunto.

RD: Quais os principais motivos que fazem você utilizar softwares livres? Quais os reais benefícios para você?

Agni: Pelas questões técnicas, posso dizer que o Software Livre é de fato muito mais seguro que as soluções proprietárias. O GNU/Linux possui desde sua idealização uma grande consideração com a segurança, sua definição de permissões é bem clara e nada será executado sem autorização do Administrador. Os riscos de invasões e infecções por vírus chegam a ser insignificantes se comparados a sistemas proprietários. Por possuir uma comunidade de milhões de programadores espalhados pelo mundo, trabalhando por paixão e não por obrigação, os Softwares Livres são muito mais testados e a correção de bugs e atualizações são muito mais rápidas do que nos Sistemas e Softwares Proprietários. Também não existe a necessidade de uma suíte de aplicativos para trabalhar (como a Creative Suite da Adobe), pois todos os softwares que você escolher para suprir suas necessidades trabalham com formatos de arquivos abertos, prevalecendo assim a compatibilidade e a liberdade na escolha das aplicações a serem usadas. O fato de o Software Livre permitir quatro liberdades essenciais (a liberdade de executar o software para qualquer uso, a liberdade de estudar o funcionamento de um programa e de adaptá-lo às suas necessidades, a liberdade de redistribuir cópias e a liberdade de melhorar o programa e de tornar as modificações públicas de modo que a comunidade inteira se beneficie da melhoria) permite a elevação do conhecimento, a autonomia tecnológica e a possibilidade de produtos diferenciados, que podem atender de forma superior as necessidades, sejam elas educacionais ou mercadológicas.

RD: Você diria que o seu envolvimento com esse tema se dá unicamente por motivos práticos ou você considera que existem aspectos ideológicos e/ou filosóficos embutidos? Quais?

Agni:Acredito que o que impulsiona o Movimento pelo Software Livre não é o fato de o mesmo ser “economicamente viável” ou “tecnologicamente sustentável”, mas sim o fato de ser “Socialmente Justo”. Para que haja emancipação intelectual e cultural do povo e a independência econômica para os países do Terceiro Mundo, é necessário que se tenha autonomia tecnológica. Todos os avanços relativos à qualidade de vida e educação estão diretamente ligados aos avanços tecnológicos e sabemos que as novidades tecnológicas que surgem para nós são na maioria das vezes algo trivial (ou até obsoleto) nos países de primeiro mundo. Somos grandes consumidores de lixo tecnológico!

As possibilidades que o Software Livre traz para o aprendizado e a produção tecnológica permite que seja reduzida a dependência que temos hoje das empresas estrangeiras, fortalecendo economicamente o Brasil e outros países. As empresas monopolistas que dominam o mercado de tecnologia hoje, independente de qualquer projeto social assistencialista ao qual participem, vão colocar sempre suas expectativas de lucro acima da inclusão digital e da desigualdade social como um todo. Por isso é necessário que deixemos de ser consumidores de tecnologia e passemos a ser produtores. É necessário que abracemos com mais empenho a questão da Inclusão digital.

Todos os avanços da Medicina ou da Tecnologia que se tem hoje não existiriam se houvesse a necessidade de pagamento de royalties pelo uso dos conhecimentos da Matemática, da Física ou da Biologia, adquiridos e compartilhados pela humanidade desde o início da civilização. O meu envolvimento com o Software Livre existe porque acredito que o conhecimento não deve permanecer oculto, mas ser compartilhado.

RD: O que você tem a dizer sobre a visibilidade e a abrangência dos softwares livres na sua cidade, amigos, etc.?

Agni: Eu particularmente tenho contato com um bom número de pessoas que usa e luta pelo Software Livre, principalmente alguns grupos de pessoas ligadas a Movimentos Populares. Vejo que cada vez mais pessoas se interessam em conhecer e usar Softwares Livres, existe uma popularização crescente. Temos hoje um número cada vez maior de eventos, telecentros, cursos, sites especializados e publicações sobre Software Livre.

Não faço uma análise da abrangência do Software Livre apenas aqui na Grande São Paulo. Vejo que a proliferação dessa Cultura Livre vem acontecendo em âmbito Nacional (guardadas as devidas proporções dos grandes centros urbanos). Mas ainda temos muito o que fazer.

RD: Você tem alguma reclamação? Algo que você acha necessário e que os softwares livres ainda não conseguiram contemplar?

Agni: Alguns dos maiores problemas que temos hoje com Software Livre ainda são problemas de compatibilidade com certos hardwares, problemas esses causados pelos próprios fabricantes de hardware, que mantém seus drives fechados, dificultando a implementação no Linux, fato esse que eu considero um ataque direto a liberdade de escolha dos usuários.

Estou convencido que praticamente tudo que se faz com Softwares Proprietários pode ser feito com Software Livre. Muitas pessoas apenas não sabem como fazer, não são esclarecidas. Muitos ainda tem medo do novo, medo daquilo que é desconhecido. Eu acredito que a não-adoção de Softwares Livres pela maioria das pessoas seja uma questão cultural e conceitual. Além das velhas táticas da indústria e da mídia que procuram promover o medo, a incerteza e dúvida com relação ao Software Livre, temos o problema didático de um ensino de informática baseado nos softwares, e não no conceito de uso. Hoje, não encontramos cursos de “Edição de Textos” ou “Edição de Imagens”, o que vemos são cursos de “Word” e “Photoshop”, por exemplo. Isso faz com que os usuários fiquem na verdade viciados em uma determinada ferramenta e tenham suas capacidades produtivas limitadas.

Eu vejo que a comunidade de Software Livre leva muito pouco em consideração essa questão didática. Hoje vemos diversos eventos de Software Livre destinados a pessoas que já trabalham com Software Livre. É preciso promover ações mais didáticas, direcionadas a despertar o interesse justamente nas pessoas que não usam Software Livre, seja por falta de contato ou por falta de esclarecimento a respeito.

RD: Você participa de algum projeto e/ou de algum grupo de discussão relacionado com esse tema?

Agni: Além de meu próprio site, ao qual venho me esforçando para torná-lo um veículo de proliferação da Cultura Livre, procuro participar das discussões da comunidade através de fóruns, listas de discussão e participação nos eventos e encontros realizados pelo país. Tenho procurado também, unindo esforços com outros militantes pelo Software Livre, promover uma série de debates sobre o tema, inicialmente na Grande São Paulo, para posteriormente ampliar isso a outras regiões.

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