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Porque usar Software Livre no Design?

Ano novo, expectativas novas… Mas algumas questões ainda permanecem!

Sendo eu um profissional de Criação, e utilizando constantemente no trabalho um iMac e as ferramentas da Creative Suite da Adobe, nunca escondi a minha predileção pelo uso de Software Livre para a área de Design, tendo inclusive ministrado várias oficinas sobre essas ferramentas. Em qualquer projeto que não envolva o meu “emprego oficial”, estou sempre adotando o uso de ferramentas como GIMP e Inkscape, dentro do Ubuntu Studio.

Uma porção de vezes pude ouvir de outros colegas de profissão comentários do tipo “mas Photoshop não é melhor?” ou então “Linux não é coisa de Hacker?”. Vamos pensar em algumas respostas…

As ferramentas livres para Design, como GIMP ou Inkscape, superam ferramentas proprietárias?

Na minha sincera opinião, não. Apesar de eu considerar ferramentas para Desenho Vetorial como o Inkscape e o XaraXtreme melhores do que o Corel Draw, não posso dizer que as ferramentas livres superam softwares como o Photoshop, Illustrator ou Indesign. A quantidade e qualidade dos recursos, a interface, ícones, atalhos, automatização, ainda são superiores nas ferramentas proprietárias.

Nesses aspectos, considero que os motivos para isso sejam os seguintes:

  1. Ferramentas livres como GIMP e Inkscape não tem tanto tempo de existência quanto as ferramentas proprietárias mais usadas. Penso, por exemplo, que o GIMP se equipara a versões mais antigas do Photoshop;
  2. Nas comunidades que desenvolvem essas ferramentas livres, não existem tantos Designers para um aprimoramento mais refinado das Interfaces, a Iconografia não é tão bem trabalhada, e nem parece haver um planejamento adequado das funcionalidades. Constantemente a comunidade do Software Livre considera como “Designers” pessoas que sabem simplesmente manipular bem um software de Edição de Imagens. Porém o Design se referencia muito mais como Projeto, e vários estudos e conceitos são necessários para um Projeto Gráfico coerente, e uma Usabilidade consistente. Creio que Desenvolvedores não são as pessoas mais apropriadas para trabalharem nessas questões;
  3. O Suporte a CMYK e Pantone dessas ferramentas, por mais que sejam possíveis com softwares como Scribus para a área de Desktop Publishing, e por mais que venham evoluindo em ferramentas como GIMP e Inkscape, não tem ainda uma consistência adequada para um trabalho mais profissional;

É possível trabalhar com Criação utilizando somente Software Livre?

Creio que profissionalmente na área de Desktop Publishing, ainda não é possível. Isso devido a recursos limitados dos Softwares e dificuldades no fechamento dos arquivos para impressão.

Porém, na área da Web é totalmente possível, isso pelo simples fato de que o processo de criação não depende de uma ferramenta, e sim de conceitos aplicados. Não adianta saber como uma ferramenta funciona se você não souber o que fazer com ela. Para trabalhar com criação, devemos ter conhecimentos multidisciplinares, assim como disse Alexandre Wollner:

“O Web Design é um fragmento do Design. Não existe Web Designer. Existe o Designer que faz Web, e este profissional tem que aprender tudo, tipografia, fotografia, semiótica, gestalt, matemática, ótica, percepção, comportamento humano, etc. Senão, ele não consegue fazer Web.”

Acredito muito na ideia da Relação 80/20 aplicada aos softwares, isto é, executamos 80% das tarefas utilizando apenas 20% das ferramentas disponíveis. Acredito também que o uso excessivo de recursos, brushers e efeitos prontos dos softwares proprietários acaba criando certos clichês e tendências desnecessárias no Design, fazendo com que os projetos gráficos percam o foco no público-alvo, e acostumando o Mercado a ideia de não haver necessidade de estudo para a criação das peças gráficas. Cria-se assim uma necessidade estética sem função definida.

Porque eu uso Software Livre na área de criação?

Considero o uso de ferramentas como GIMP e Inkscape um estímulo ao processo de criação. Penso que não devemos ser dependentes de uma ferramenta específica para qualquer tipo de trabalho, e acredito que a qualidade dos projetos não deve estar vinculada ao uso de um software, e sim ao talento do profissional. Essa afirmação não é de forma alguma um atestado de inferioridade das ferramentas livres. Apesar de ainda ter muito o que evoluir (o que é natural), essas ferramentas tem sim grande qualidade e potencial.

Também acredito em outras questões – essas sim de cunho mais ideológico – de que o que impulsiona o Movimento pelo Software Livre não é o fato de o mesmo ser “Economicamente viável” ou “Tecnologicamente sustentável”, mas sim o fato de ser “Socialmente Justo”. Acredito que para haver uma independência econômica para o Brasil e outros países, uma das principais necessidades é que se tenha autonomia tecnológica. As possibilidades que os Softwares Livres trazem para o aprendizado e a produção tecnológica permite que seja reduzida a dependência que temos hoje das empresas estrangeiras, e o uso de ferramentas livres estimula a produção de software de código aberto, ajudando a proporcionar essa autonomia tecnológica.

E você, por acaso já testou alguma dessas ferramentas? Já tentou editar suas imagens com o GIMP, ou fazer seus desenhos no Inkscape? Faça o download e experimente, assim sem compromisso mesmo :)

Tudo que é binário se desmancha no ar!

Todos fazemos listas de resoluções para o novo ano que se inicia. Na minha cabeça essas resoluções costumam ser uma constante para o século. Ironicamente, me dei conta de uma resolução importante justamente durante o Reveillon.

Faltando aproximadamente uma hora para a tal virada de ano, entre uma cerveja e um churrasquinho, um amigo meu de longa data faz tipo de colocação que eu já não ouvia a um bom tempo: “A revolução tem que começar pelo campo!”. Com o espírito já meio elevado, não pude deixar de me espantar (e ao mesmo tempo sorrir) com o comentário.

Mais um gole de cerveja e eu ouvia que “…outras revoluções aconteceram dessa forma!”. Já acalorando a conversa, entre goles de cerveja e discussões que iam desde os Grileiros no Pará até a Revolução Cubana, fiz algumas de minhas considerações:

“Como dizem, uma Revolução para acontecer necessita do apoio popular. Devemos nos preocupar hoje muito mais com quem condiciona e forma a opinião popular… Qualquer revolução deve voltar seus olhos pra Mídia, hoje temos meios de fazer parte dela! Hoje temos a oportunidade de sermos muito mais que consumidores de informação, podemos produzi-la, discuti-la, rebate-la… Não somos mais tão passivos assim com relação aos conteúdos que recebemos! Hoje é mil vezes mais fácil criar um Blog para levar essa expressão a um número muito maior de pessoas do que tentávamos fazer em outras épocas com os fanzines xerocados… Hoje o alcance e a interação dos protestos é muito maior através do Twitter do que com panfletagens.

Diferente do que teve início na Revolução Industrial, Não existe mais essa divisão clara entre ‘detentores dos meios de produção’ e ‘os que vendem mão de obra’… Muita gente hoje detém seu próprio meio de produção e, ao invés de mão de obra, vendem conhecimento. Nesses nossos dias, muitos produtos são intangíveis, binários! O poder está hoje nas mãos daqueles que detêm o fluxo e produção de informação, daqueles que detém patentes de software, e mantém o Terceiro Mundo nessa dependência tecnológica. Devemos ser produtores de informação e conhecimento, e não simplesmente consumidores, e toda essa informação deve ser livre e aberta a todos que quiserem usa-lo, estuda-lo, adapta-lo ou distribui-lo!

Uma revolução não deve ter um foco fixo de onde se iniciar, devem existir vários focos espalhados em diversas áreas, combatendo as diversas formas de dominação. As Revoluções do passado aconteceram como aconteceram pois se vivia uma outra conjuntura, um outro contexto… Hoje devemos mirar também nosso olhar para coisas muito maiores!”

Depois de inúmeras interrupções, eu terminei meu discurso. Meu amigo disse então:

“Revolução de Tecnologia? Pela Internet? Com Computadores? Só se for algum outro tipo de Revolução Burguesa… Vocês ficam escondidos atrás das telas, crentes de que estão alcançando o mundo todo, se esquecendo das coisas que acontecem na vida real… Esquecem que ainda existem pessoas dentro de fábricas, esquecem que essas pessoas ainda vendem sua mão de obra para pessoas que ainda detêm meios de produção… Esquecem que suas Tuitagens não chegam até aqueles que passam seus domingos no sofá assistindo a Globo, não chegam até aqueles que vivem de catar o lixo de vocês nas ruas, nem até aqueles que ainda hoje não tem esgoto encanado, nem aqueles que vivem nas barracas dos terrenos ocupados, ou daqueles que cortam cana… Não chegam até aqueles que se ralam de verdade na aspereza da vida. A Internet e essas tecnologias não passam de uma zona de conforto… e comodismo!”

Quando então faltavam já poucos minutos para a virada de ano, e fogos já pipocavam pelo céu, a discussão começava a esquentar mais do que devia, e um terceiro amigo estão veio intervir para que parássemos de conversa fiada, e para que voltássemos a bebemorar (seja lá o que tivéssemos para bebemorar nessa virada). Fato é que nenhum dos dois sabia mais se estava falando coisa com coisa!

Ainda sou convicto de alguns pontos que levantei, porém não da mesma forma. Não discordo (agora) de tudo que disse meu amigo. A Internet e a Tecnologia ainda não estão presentes na vida de muitos, da forma que está na nossa. A Internet não deixa de ser uma boa zona de conforto para muitos, inclusive para mim!

Resolução para 2010? Não deixar de fazer as coisas que venho fazendo, mas talvez passar menos tempo na frente de uma tela, sentir um pouco mais de sol na pele, e ver um pouco mais a vida acontecendo de verdade!

Compondo Camadas para Canais com GIMP

Fala galera…

As pessoas vêm contribuindo e deixando suas colaborações no “Desafio do Design com Software Livre“. O primeiro desafio ao qual venho publicar aqui foi postado pela Ariane, sobre composição de imagens CMYK a partir de camadas para canais:

“Tenho um desafio em particular, eu sei que dá pra fazer com ImageMagik, mas não sei como…
dá pra transformar quatro imagens em tons de cinza em uma CMYK sendo que cada imagem original equivaleria a um canal de cor?
abs, e boa sorte
Ariane”

Na sequência, o Diogo deixou uma resolução, utilizando o ImageMagik:

“Oi Ariane, li o seu desafio e acredito ter uma solução. Vamos lá!
Estou usando ImageMagik 6.4.8 2009-02-26 Q16.
Para fazer um teste, primeiro vamos separar os canais CMYK de uma imagem usando o ImageMagik. Usarei a imagem rose.gif (http://www.imagemagick.org/Usage/channels/rose.gif) do próprio site do ImageMagik.
Para separar os canais use o seguinte comando:
convert rose.gif -colorspace CMYK -separate rose-%d.gif
Teremos 4 imagens: rose-0.gif, rose-1.gif, rose-2.gif e rose-3.gif, representando, respectivamente, os canais CMYK.
Agora, para juntar os canais em uma única imagem, use o seguinte comando:
convert rose-?.gif -set colorspace CMYK -combine -colorspace RGB rose-CMYK.gif
Espero ter ajudado.

Abraços,
Diogo.”

Bem, abaixo deixo a resolução do desafio utilizando o GIMP, onde utilizei a imagem abaixo como exemplo:

O GIMP possui as ferramentas de Composição e Decomposição de Canais, que pode ser acessada pelo menu “Cores > Componentes”. Para obter as quatro imagens em tons de cinza, utilizei a opção “Decompor”, escolhendo a extração dos canais no modelo de cor CMYK para camadas:

Dessa forma, pudemos obter quatro imagens em tons de cinza, cada uma representando um canal CMYK.

Para converter cada uma dessas imagens em canais, de forma a compor uma imagem no modo de cor CMYK, podemos fazer o mesmo caminho: “Cores > Componentes > Compor

Podemos ainda trocar a ordem das imagens em tons de cinza, e criar imagens com diferentes composições de cores…

Continuem colaborando, postando dúvidas e desafios… aos poucos vamos publicando todos os tutoriais para cada desafio e mostrando todo o potêncial das Ferramentas Livres!

Até a próxima…

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